Os homens brasileiros, com mais de 50 anos, vivem dilemas existenciais sérios. Sabem que o nosso modelo de “macho man” está ultrapassado, não tem volta. Por outro lado, não possuem a maturidade para encarar, como naturais, as mudanças chegadas com o tempo. São tantas, de toda ordem, a causar espantos e perplexidades. Ora é a parceira a desafiar com o seu saber e independência; os filhos a fustigarem com indagações, cujas respostas não sabem; os reptos da vida profissional, mostrando sem dó, nem piedade, a necessidade de reexaminar os caminhos já percorridos e sinalizando novas estradas a serem trilhadas, mesmo sinuosas e insondáveis.
Paralelo a tudo isso, além da mente, o corpo passa a emitir sinais, pedir cuidados com o diabetes, o colesterol, a visão, as coronárias, a obesidade, a flacidez dos músculos, as artroses, o fantasma da impotência e as doenças cativas do homem, dentre as quais avulta as da próstata.
Um anúncio institucional de um plano de saúde tem alertado para esse problema, a Faculdade de Medicina da USP realizou, no último mês, a Semana do Alerta sobre a próstata e pessoas próximas a mim que foram afetadas. Daí, passei, casuisticamente, a estudá-lo com atenção. O que escrevo a seguir é a visão curiosa de um leigo, nada mais que isso. O objetivo é um só: alertar.
O urologista, com o seu dedo em riste, é temido por muitos homens, sob a desculpa de “depois eu faço”. Hoje, um homem com mais de 50 anos, ao fazer o seu check up anual deve incluir o exame do PSA. Na realidade, o PSA, um exame recente, feito a partir do sangue, é um marcador eficaz da saúde da próstata. Seu nome vem do inglês e significa Antígeno Prostático Específico. O antígeno, no caso, é uma substância que, penetrando no organismo, vai detectar especificamente através de uma escala, que começa com zero e cresce, o grau de sanidade – ou não – da próstata. Determinaram, após pesquisas, que os níveis ideais variam de zero a quatro. Assim, o homem, ao fazer anualmente o seu exame de PSA, deve ler e discutir os resultados com o seu urologista.
Além do PSA, o toque retal é outro indicador importante. Dura menos de um minuto, e nenhum homem deve se sentir menos “macho” por ter a consciência de fazê-lo a partir dos 50 anos, ou após os 40 anos, se houver história de câncer, especialmente de próstata, na família.
Quando o PSA apresenta índices superiores a quatro, não há razão para alarmes. O paciente poderá ter apenas uma inflamação na próstata ou, ainda, uma hiperplasia benigna, isto é, uma doença perfeitamente curável, através de tratamento ou cirurgia. Auxiliado por exames de ultra-som trans-retal e biópsia , o urologista poderá indicar o procedimento mais adequado a cada caso.
Na pior hipótese, os que forem acometidos de câncer de próstata poderão ficar curados, desde que a doença tenha sido detectada no início e atingida somente a cápsula prostática. O médico retirará toda a próstata, verificará se não há metástases – auxiliado pela patologia – nas áreas próximas e, com muita probabilidade, o doente poderá ficar curado. As técnicas, usadas universalmente, tentam preservar a capacidade de ereção do paciente e minimizar a possibilidade de incontinência urinária.
Ser homem, depois dos 50, é ter uma mente lúcida para agir previdentemente, com capacidade para enfrentar as adversidades – se elas acontecerem – e forças para superá-las, tocando a vida com energia e sem medo. Este é o novo macho man.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 17/09/2000.

