BUSH E GORE

Na próxima terça feira, dia 7, George W. Bush e Al Gore estarão se defrontando para a escolha -por um colégio eleitoral de 270 votos – do sucessor de Bill Clinton nos Estados Unidos. E daí? E daí é que o Brasil precisa ficar atento e saber o que pensam os dois candidatos, especialmente sobre a América Latina e o crescimento de guerrilhas e narcotráficos na América do Sul. Nos limites das fronteiras brasileiras há plantações de coca, traficantes e guerrilheiros. Nós não podemos fazer a pose da avestruz. Os Estados Unidos são os maiores consumidores de cocaína do mundo, o que parece conceder direito àquele país de apoiar países produtores a erradicar plantações e caçar narcotraficantes.
Por outro lado, eles são um grande mercado para os produtos brasileiros e a onda protecionista americana tem afetado as nossas exportações. Essas, entre outras, as razões para que saibamos a quantas andam os pensamentos de Bush e Gore.
A campanha, na última semana que antecede a eleição, tornou-se mais acirrada. As pesquisas mostram uma ligeira vantagem de 3% de Bush sobre Gore, o que não significa muita coisa, pois uma declaração em falso ou qualquer episódio pode reverter esse quadro. Sem falar na margem de erro de 2%.
George W.Bush, do partido republicano, é filho do ex-presidente George Bush que foi derrotado em 1992, em pleno mandato, por Bill Clinton .É governador do Texas, irmão do governador da Flórida, conservador, defende corte de impostos e aumento para militares. A propósito, vejam o que ele falou: “O moral está baixo entre os militares.Não conseguimos atender as nossas necessidades de recrutamento. Estamos vendo capitães abandonando o serviço militar porque o soldo é baixo”. Ele diz que a América Latina faz parte dos “interesses estratégicos americanos”. Segundo ele, “Do Canadá ao extremo sul”. Misturar Canadá com a América Latina é coisa de quem nunca estudou geografia, matéria em que os americanos não são muito fortes. Essas gafes têm dado oportunidade ao candidato a vice de Gore, Joseph Lieberman, de afirmar que põe em dúvida a capacidade intelectual e a experiência de Busb para ocupar a Casa Branca.
Al Gore, democrata, tão rico, cinquentão e simpático quanto Bush, é o vice-presidente- e amigão- de Bill Clinton nos dois mandatos e é considerado inteligente, moderado e experiente, mas Joe Klein, da revista The New Yorker, disse, recentemente: “Ele parece ter perdido tudo isso na campanha eleitoral. Há uma desesperança triste e uma falta de graça no contato de Gore com o eleitorado”. Acresça- se que Bill Clinton, andou falando demais na revista Esquire (pensando que a entrevista só seria publicada após as eleições, mas jornalista…) quando afirmou que a maioria republicana no Congresso “deveria pedir desculpas ao povo americano” por havê-lo processado no caso Mônica Lewinsky. Era o que os republicanos queriam. Ressuscitar o caso. A propósito, indagado sobre referido caso, Gore disse: “Só fiquei sabendo quando ele admitiu publicamente. Eu tinha minhas suspeitas, mas não sabia o que era. E quando um amigo nega um fato, você concede o benefício da dúvida. Ou isso ou rompe a amizade”.
Para encerrar: lá como cá, há uso de baixaria e casos pessoais. É aguardar para ver, pois como diz o escritor Gore Vidal: “o país não é governado por presidentes, e sim pelas grandes corporações”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/11/2000.

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