Todos sabem que estamos vivendo uma época difícil, com elevado índice de desemprego. O que ocorre, então? As pessoas desempregadas, especialmente as que participaram de programas de demissão voluntária, receberam indenizações e, como não tinham muitas alternativas, resolveram partir para pequenos negócios próprios, sem registro de empresa. Some-se a isso as que foram demitidas das empresas privadas. Expandiu-se o que se chama de economia informal.
Com as mudanças da legislação previdenciária, muitos funcionários públicos e de estatais de bom nível, já com tempo de serviço para a aposentadoria, resolveram também deixar seus empregos e ficar recebendo o que têm direito. Grande parte dessas pessoas, depois de um certo tempo, procura voltar ao mercado de trabalho, quer em novos empregos ou montando pequenos negócios. Além das pessoas desempregadas e aposentadas, existem – e são milhões – as que terminaram ou interromperam seus estudos e deixam de ser absorvidas pelo mercado de trabalho, isto é, não se empregam.
Essas pessoas também estão sequiosas para começar suas vidas profissionais. Em outras palavras, todos estão tendo um nível elevado de concorrência, isto sem falar na retração em face da crise econômica. Essas considerações são ditas não para desestimular, mas para retratar a situação conjuntural.
Aumentaram, então: mototáxis, taxis, microvans para transporte escolar, alternativo e turismo, vendas de comidas a quilo, frango assado, pequenas confecções, bares e restaurantes, consertos em roupas, carrinhos de lanches, consultorias, prestadores de serviço etc.
É preciso que essas pessoas (maduras ou jovens) que desejam montar ou montam um negócio e, por suas histórias de vida não estão acostumadas a esse trabalho e a obter resultados a médio ou longo prazos, tomem cuidado quanto à pressa. Essa pressa, às vezes, é prejudicial. É elementar que todo negócio para dar certo, além de outras coisas, tem que:
ØSer precedido de uma pesquisa de mercado para verificar o seu potencial
ØFazer benchmarking (sondagem) nas empresas ou pessoas que já atuam no mesmo segmento;
ØDeterminar o quanto se quer obter de resultado e, a partir daí, saber as potencialidades do mercado, o nível de investimento necessário e o tempo em que esse investimento deverá retornar;
ØSaber quais serão os custos fixos (as despesas que existirão independente da receita) e os variáveis (os decorrentes da receita);
ØTer paciência, determinação e coragem para manter o negócio;
ØCriar um diferencial para bem atender a clientela. Em outras palavras, fazer o que disse Ezra Pound: “Do it new”, isto é, faça novo, diferente. Ofereça o que os outros não estão fazendo.
É preciso ainda muita disposição para conversar, analisar, fazer cálculos e o que for necessário. É bom nunca esquecer que “negócio é como andar em uma bicicleta, ou você continua pedalando ou cai”.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/03/1999.

