2009- NOVES FORA – Diário do Nordeste

Daqui a quatro dias o ano será findo. As previsões feitas pelos economistas não são boas, mas há um consolo: eles não são bons em presciência. Há ameaças de desemprego, por conta do fechamento de fábricas, mas a Igreja proíbe o controle da natalidade, a publicidade custa mais caro que os produtos ou serviços, os impostos comem 1/3 do que ganhamos e o Governo dá seis meses sem trabalho para as mães em curso. Que nasçam mais crianças. O país procura ter linguagem e ações de potência, mas patina no Índice de Desenvolvimento Humano. Empresas brasileiras viram multinacionais, mas não esquecem de pedir recursos ao BNDES. Os senadores querem aumentar o número de vereadores. Ótimo, esses poderiam ser pagos com parte do que os pais da pátria ganham. O ano foi sacudido com a crise financeira, a eleição de Obama e a sapatada no Bush. Mas, daqui a quatro dias, este ano e suas mazelas terão ido embora, em meio aos eventos finais em todo o mundo, com seus fusos diferentes e as mesmas histórias contadas por locutores maquiados defronte a câmeras de televisão. Esqueça o que passa e vá em frente. O companheiro Lula está no leme e nós somos bons marinheiros, havemos de encontrar terra firme, aquela em que se plantando tudo dá. Mas, os índios dizem que as terras eram deles. E eram, mas não esquente. O Brasil é grande demais, dá para todas as tribos, não importam os nomes dos morubixabas. Faça a sua parte, pegue o seu tacape e cuide de sua oca. Não deixe que queimem o seu roçado, nem se aproxime dos que vivem de não fazer nada, apenas enganando e tentando se arrumar. Achegue-se aos que fazem com dentes e unhas, mesmo que elas sangrem. Descubra-se novo, não em tempo, mas em ideias, sentimentos e atitudes. Estas valem mais que tudo, especialmente se não forem propagadas. Realimente-se de energia, palmilhe sonhos, não faça greve de benquerença, desestimule brigas e ausculte o seu coração, sem esquecer que em toda criatura humana bate também um similar ao seu. Viver é perigoso, já se disse, mas é uma dádiva e não podemos desperdiçá-la. Em 2009 sobram dois, você e o seu sonho. O resto são “noves fora”. Feliz Ano Novo.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 28/12/2008

Sem categoria