Consta na História da mitologia grega que Athena (Minerva, na mitologia romana), considerada a deusa da guerra e da sabedoria, possuía uma coruja como mascote. Sendo a coruja um animal noturno, os gregos, que apreciavam a noite como o tempo de meditação, da filosofia e o da revelação intelectual, a escolheram como seu símbolo. Dessa forma, a coruja passou a ser cultuada, por seus grandes olhos, como referência da busca pelo conhecimento. Da zoologia se depreende que a coruja não aceita bem ser criada em cativeiro, tem visão 180% superior à espécie humana, enxergando muito, apesar de daltônica. Como tem os olhos separados e pescoço flexível, possui a capacidade de girar a cabeça para mirar tudo ao seu redor. Daí a suposição de que teria inteligência, argúcia, sensibilidade e audição privilegiadas.
Consta ainda da história que, em uma língua nórdica antiga, a coruja recebeu o nome de “uglia”, em face do som que emite. Algo como ugli ou uglia. Em inglês, a palavra “ugly” significa feio e ninguém, na realidade, vai afirmar ser a coruja um animal bonito. A partir dessa ilação, consolidou-se mais a ideia ou o estereótipo do sábio, pessoa silenciosa, tal como a coruja, mais preocupada com o mundo interior que com as aparências, segundo afirma o professor da Universidade de São Paulo, Antônio Medina Rodrigues, especialista em estudos helenistas.
Estas explicações alinhavadas são uma introdução para dizer que a Associação dos Professores do Ensino Superior do Ceará – Apesc, acreditada entidade de classe presidida pelo prof. Ari Othon Sidou, tem a coruja como seu troféu maior e, escolhe, em assembleia geral, personalidades/entidades para homenagear, ao seu julgar, por terem contribuído de forma relevante para o desenvolvimento da educação e da cultura.
Neste ano de 2010, em solenidade realizada última quinta-feira, véspera do dia do professor, os agraciados foram a Fundação Beto Studart; o Ministro do STJ, Francisco César Asfor Rocha; o Ministro do TCU, Ubiratan Diniz Aguiar, o prefeito de Maracanau, Roberto Pessoa; e este escriba que, lisonjeado, resolveu, em agradecimento, fazer este registro.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 17/10/2010.

