A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, diz no seu art. 25, entre outras coisas, que todos têm direito à alimentação. Hoje, 63 anos depois, ainda existem mais de novecentos milhões de pessoas passando fome no mundo. Esse dado constrangedor – mais de quatro vezes a população brasileira – está espalhado, principalmente, na África subsaariana e em outros países do dito 3º. Mundo ou emergentes. Esse fato não é agradável para o leitor bem alimentado, mas é real, contundente e precisa ser resolvido por todos nós.
A Organização das Nações Unidas (ONU) controla o órgão chamado FAO (Food and Agriculture Organization), sediado em Roma, que cuida do problema. A FAO está sendo dirigida tem 18 anos por um dirigente africano, o senegalês Jacques Diouff. Nem por isso a fome diminuiu. Agora, no domingo passado, o brasileiro José Graziano da Silva foi eleito para diretor-geral dessa FAO, em segundo turno, com 92 votos, contra 88 dados ao espanhol Miguel Ángel Moratinos. Graziano é agrônomo, fez parte do governo Lula, e já era assistente da FAO. Sua posse será em 1º. de janeiro de 2012, com mandato até julho de 2015. A Graziano é atribuída a criação do programa Fome Zero que, na prática, não deu muito certo.
Agora, Dilma criou o “Brasil sem miséria”. A eleição apertada de Graziano mostra que os países estão divididos quanto às soluções para a fome mundial. Os 92 votos dados a ele vieram de países “não alinhados”, isto é, os que não fazem parte do mundo desenvolvido. O jornal espanhol “El país”, com raiva, diz que com Graziano haverá um “continuísmo ao invés da renovação radical”. A vice-secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Kathleen Merigan, afirmou que “seu governo vai lutar por um congelamento do orçamento da FAO, no período de 2012-2013”.
Como se vê, a Europa e os USA não estão felizes com a eleição de Graziano. Isso é um bom sinal. Ele poderá provar que sua administração não será continuísta e, politicamente, lutará por mais recursos junto a esses países que não queriam a sua eleição. Boa sorte. Além disso, que tal pensar em um percentual de 2% em cada conta de restaurante de todo o mundo para acabar com a fome? Sem desvio, é claro.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 03/07/2011.

