Faz 10 anos hoje. Natércia Campos liga: abra a TV, veja o que está acontecendo nos Estados Unidos. Liguei e me vi engolfado nos ataques. O resto, todos sabem. Ou imaginam saber. O choque me levou a reler parte do que havia publicado antes de 11.09.2001. Chamei isso de Gênese. Logo depois, escolhi o gênero conto para descrever os efeitos que pessoas e fatos me passaram. Escrevi onze e os intitulei de Caos. São histórias breves, concebidas, a partir de leituras e do meu olhar: A Bolsa e o Channel; A Festa do Sacrifício; A Separação; Atrás da Porta; Maria e Paul; O Espírito; O grande Dia; O vôo; Os Escombros; Os números; e Uma Questão de Física. Juntei as duas partes no livro “Sobre a Gênese e o Caos”. O jornalista Carlos Augusto Viana resolveu fazer, na edição de hoje do Caderno Cultura deste DN, um passeio por esses contos. Dê uma olhada.
Conheci Nova Iorque bem antes da construção das torres gêmeas, na baixa Manhattam, perto de Wall Sreet. Pronta, a visitei e nela tenho fotos. Depois dos acontecimentos, voltei ao Marco Zero. Área arrasada, tapumes, centenas de trabalhadores e gruas em novo projeto. Visitei, com vagar, museus e memoriais surgidos nas vizinhanças. Vi uma pequena igreja bem próxima daqueles ataques. Havia sido poupada. Milagre?
O fato é que os Estados Unidos, a partir de G.W. Bush, a pretexto de acabar com o terrorismo e desvendar as supostas armas atômicas do Iraque, já gastaram, até hoje, três trilhões de dólares, incluindo tropas no Afeganistão e bases de apoio na Europa. Obama e seus “marines” conseguiram matar Bin Laden e esconderam – ou destruíram – o corpo para evitar peregrinações muçulmanas ao local de seu sepultamento. Neste domingo, quatro dias depois das manifestações civis, convocadas pela Internet, contra a corrupção em todo o Brasil, é bom que os políticos e o povo lembrem das lições que a História nos dá, a partir de 2001, agravando-se em 2008 e sem data para findar. A América, emitindo dólar, e o mundo em crise. Nada a ver? Tudo a ver. Mudam o enredo, o palco, mas os atores se assemelham. A guerra agora é econômico/financeira. A corrupção é o epicentro. Terrorismo diferenciado.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 11/09/2011.

