A HISTÓRIA DE FRANCISCO, TAMBÉM JOSÉ. – Jornal O Estado

Depois de uma série de e-mails e telefonemas trocados, marco encontro com Luiza Amorim e seu marido, Kildare. Jovens, bem-apessoados, chegam e estou com visitas. Mesmo assim, atendo-os, e peço meia hora de tolerância. Na hora azada voltam, sentam e ela diz de seu projeto em fase de conclusão: escrever a biografia de Lustosa da Costa, o filho primeiro de “Seu Costa” e D. Dolores. Ela fala de sua vida acadêmica e da interrupção do trabalho como repórter de televisão para se dedicar integralmente ao final da história do Lustosa. Entrega-me um exemplar do livro que escreveu sobre a jornalista Adísia Sá. Vem munida de um MP-3 que usa, com a ajuda do marido, como gravador. Faz perguntas objetivas, certeiras e tem o cacoete de não querer ficar na superfície, mas mergulhar na essência da vida pessoal e profissional do procurador, jornalista e intelectual Francisco José Lustosa da Costa. Digo-lhe o que todo mundo sabe. O Francisco veio de Cajazeiras, Paraíba, onde perdeu o umbigo. O José cresceu em Sobral, sob os olhares vigilantes de sua família e as bênçãos de D. José Tupinambá da Frota, um dos seus ícones religiosos que talvez o tenha convencido a ser seminarista, por um tempo. O Lustosa surgiu em Fortaleza, depois dos anos no Seminário, com os Diários Associados, misturando faculdade, jornal e uma televisão incipiente em que o improviso abrigava os talentosos e dizimava os incapazes. Fez-se cronista político do primeiro time, ao tempo em que concluía direito e descobria que esta cidade era apenas uma Sobral maior e que ele poderia ser o exemplo da família que morava bem ao pé da Igreja da Piedade. E assim o fez. Foi abrindo caminho certo para os outros irmãos que, tendo a mesma carga genética, viraram deputado federal, ministro, historiadora, geógrafa, médico, jornalistas e escritores. E é desse tempo o meu conhecimento com ele. Alçávamos voos diurnos em direção aos ventos da realidade, mas tínhamos noites de quimeras no Náutico, Ideal e no restaurante Lido com Lúcio Brasileiro, Danilo Marques, Fernando Távora, Frota Neto e alguns mais. Depois, irmanado a Dorian Sampaio, ressuscita o Anuário do Ceará, dando-lhe nova feição e perspectiva exitosa. Aí a história muda e entra a cidade do Rio de Janeiro em sua vida, apenas um hiato, em que passa a ser jornalista maior. Mas, seria longe, além da costa, aonde resplandeceria o fulgor de seu talento. Brasília era a menina do cerrado e ele, Costa, curioso, atento e desbravador, queria conhecer seus meandros, participar das conversas que se transformavam em ações, leis, acompanhar o seu crescimento e criar seus filhos candangos, frutos da benfazeja união com Verônica. E o restante, quem quiser saber, compareça ao lançamento da biografia do Lustosa quando setembro chegar. Cuidem de reservar lugares, pois o Clube do Bode ocupará quase uma centena de cadeiras.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20/06/2008.

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