A PRAIA DE LUA GRANDE

O mês de março de 2006 teve uma brisa forte soprando sobre a maturidade de Ednilo Soárez, debutante no difícil campo do romance. A brisa chegava do mar, ali em frente de quem entra no Ideal Clube pela Monsenhor Tabosa. Até uma lua grande (ou seriam os refletores?) aparecia, despistava e voltava trazendo os personagens do romance de estreia do adolescente que deixou sua terra, entrou na Marinha, andou por mares inéditos em nós lentos, de olhos à escuta. Mas, voltando apascentado à terra-mar, não retratou os mares dos outros, mas o das nossas paragens. Ateve-se a falar de pessoas, intrigas, assassinato e amarrar um desfecho que permite, se o desejar, sequencia-lo.
Tinha mais gente por lá que em Lua Grande e, certamente, de patamares diferentes, formava um microcosmo assaz rico para os olhos vários dos que, convidados, chegam nos trinques e ficam a passear de livro às mãos, como se fosse uma prenda arrematada em pregão literário. Mas não era um pregão, posto que um sarau de classe, digno de qualquer recanto, de Lua Grande à já grande e marejada Fortaleza.
O livro é um primor gráfico, os breves comentários na sua orelha esquerda ecoam sóbrios. A educação de Ednilo pediu que agradecesse e dedicasse os seus dois anos de labor. Reconhecido ao jeito de sempre, descontraído, gentil, aberto e leal. A apresentação de Carlos Augusto Viana é a reafirmação de seu talento, quer como poeta, ensaísta e crítico. Com sentido didático e erudição, como se aquelas páginas certificassem o seu estilo e com aprumo atestasse o “imprimatur”, no reconhecer pessoas, falar de coisas e sentimentos de forma apropriada. Tudo nos conformes.
Mas, e o livro? Vou deixar que cada um que o tenha comprado ou o compre, faça a tarefa de ir descobrindo a jangada “Brisa do Mar”, seus tripulantes, as figuras mais importantes de Lua Grande, o Conselho Municipal, a visita do Governador, as intrigas, o crime em Fortaleza e o enredo que se renova a cada capítulo, como se fosse uma breve narrativa que vai tecendo nós de marinheiros.
Por último, este livro é prova ratificada de cearensidade, mar de escavação existencial, praia cheia de simplicidade, entrelaçamento e areias onde dramas, percalços e alegrias se encontram.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/04/2006.

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