A UFC DE TODOS NÓS

A história da Universidade Federal do Ceará coincide com a maioria das estórias pessoais dos cearenses nascidos a partir do século passado. Ou somos professores, ex-professores, funcionários, egressos da UFC, ou pais, filhos e parentes dos quase 60 mil estudantes que passaram por ela nestes seus 50 anos de vida. É ainda uma curta história de 50 anos, mas já é tempo suficiente para mostrar resultados que vão além das áreas do conhecimento em seus diversos centros e faculdades.
Muita gente, mesmo professores, funcionários, estudantes e egressos, não tem noção exata da dimensão da UFC. Geralmente se pensa que as áreas de graduação, pesquisa, pós-graduação e extensão, que constituem – aparentemente – o seu foco principal, são tudo o que a UFC faz. Esquecem que há uma atuação discreta, mas consistente, na área de assistência aos estudantes, com residências universitárias, restaurante universitário a preços simbólicos e um meio milhar de bolsistas de iniciação científica.
Além disso, a UFC mantém a Casa de José Alencar, patrimônio histórico nacional; um Museu de Arte, com rico acervo; a Casa Amarela, que disponibiliza cursos de cinema e correlatos; um Curso de Arte Dramática; uma Orquestra de Câmara, em parceria com o Sesi; uma Rádio Universitária; 14 bibliotecas; seis Casas de Cultura Estrangeira; uma Editora; uma Maternidade-Escola; um Instituto de Ciências do Mar, o Labomar; e um grande Hospital Universitário.
Tudo isso é a UFC, mas ela poderia ser bem maior se os ex-alunos, entre os quais me incluo, tivessem uma organização social institucionalizada de apoio às suas múltiplas atividades que beneficiam grande parte da sociedade cearense. Creio que é tempo, sempre é tempo, de retribuir o que a UFC fez por todos nós. É hora de se criar uma entidade de ex-alunos que possa captar e fomentar recursos privados, sob a forma de mensalidades, doações e outras ações inteligentes de suporte para criar, manter e oferecer um diferencial qualitativo ainda maior que o atual.
Estas minhas observações são fruto de observação pessoal, por participar, com muita honra, da Comissão que cuidou, neste ano de 2004, do cinquentenário da UFC. Pude observar o nível de benquerença e interesse que reina entre todos os seus integrantes e isso se deve ao jeito simples e competência com que o reitor René Barreira conduz as reuniões, mostrando os seus sonhos, limitados pela crua realidade de um orçamento que não dá margem a quase nada. Os sonhos da UFC de hoje precisam ser compartilhados por todos nós, especialmente os que nela mourejaram e nela obtiveram ensinamentos que serviram de base e alavanca para suas realizações pessoais e profissionais. E é bom que ninguém esqueça e tudo fique mais claro do que já é: isso se deu graças a um sonhador inveterado, Antônio Martins Filho, que no próximo dia 22 completaria cem anos. O sonho se tornou a realidade, hoje festejada com orgulho e reverência.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 19/12/2004.

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