ADAUTO E HUMBERTO – Diário do Nordeste

A maturidade chega quando as pessoas acreditam ter percorrido caminhos que as levaram ao gozo do presente ou aplainaram todas as diferenças do passado, por sabê-las inúteis. Creio que os gêmeos univitelinos, Adauto e Humberto Bezerra alcançaram este patamar. Não o digo por convivência, pois deles não sou íntimo. Tampouco como contrapresta-ção por favores que nunca pedi. Eles fizeram parte da época dos “coronéis”, militares de carreira que foram. Engajados, no princípio, na política de Juazeiro do Norte, depois no parlamento ou no executivo, como governador e vice. Hoje, acolhem amigos para rodas de conversa.
Eles, quando banqueiros, nunca receberam minha visita para a solicitação de empréstimo, pois nunca devi a ninguém, refratário que sou a qualquer galanteio por interesse. Por que então este artigo? O distanciamento permite-me dizer da admiração pela irmandade que nutrem, sentida e exposta. Na octogenária casa da vida, eles sabem que nasceram de uma só placenta e vivem a relação que todos os irmãos deveriam ou gostariam de ter.
Foram bem sucedidos nos campos militar, político e empresarial. Cumprem tempo sabático benfazejo, calejados e gentis, garantidos e simples, com memórias no passado e antenados no presente. O porto afetivo que construíram lhes dá a convicção de que, a partir de cada algodoeiro que plantaram ou beneficiaram, de cada tostão poupado em Juazeiro, transformaram um banco local em estadual, nacional e, por fim, chinês e comunista. Paradoxo? A vida é como ela quer. Nada houve que os separasse. Esta é a maior virtude dos dois.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/01/2015

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