ADMINISTRADORES, SENHORES DO FUTURO – Jornal O Estado

Estudo administração desde a década de 60. De lá para cá já convivi com várias designações da carreira. No princípio era Técnico em Administração, depois resolveram transformá-la em Bacharel em Administração. Em seguida, reduziram-na para Administrador. Qualquer que seja o nome, pois hoje o importante é o saber e não o nome que se dá ao detentor do conhecimento, há uma consolidação dessa atividade, ciência ou profissão. A par disso, explodiu no Brasil uma miríade de cursos de MBA e mestrados que, salvo exceções, não acrescentam muito ao que se aprende na graduação e na prática, fazendo, errando, lendo e consertando.
É bom lembrar que em 1903, Henry Ford fundou uma empresa que fabricava veículos e introduziu a linha de montagem e os processos de automação. Surgiam, então os fundamentos do fordismo, tão criticado por Charles Chaplin no filme “Tempos Modernos” e, posteriormente, no livro “Admirável Mundo Novo”, de Adlous Huxley. Ao mesmo tempo em que Henry Ford praticava gerência, Frederick Winslow Taylor, considerado o pai da profissão, concebia a ideia da racionalização do trabalho e dava o embasamento teórico da “engenharia social”, nome primitivo da atividade.
Do outro lado do mundo, precisamente na França, Henri Fayol começava a definir o lado conceitual da administração. Isso foi apenas o começo. Agora, nestes tempos informáticos e performáticos, há, como já disse, um número imenso de escolas e faculdades de administração pelo Brasil afora. São cursos de montagem relativamente barata e a obtenção de licença de funcionamento do Ministério da Educação não parece ser tão difícil. O fato é que a profissão de Administrador já está quase empatando, em quantidade, com a de Advogado e isso seria positivo se a qualidade dos cursos fosse boa, mas não é o que consta, pelo menos é o que tenho ouvido falar de quem tenta recrutar bons administradores.
Esta é a semana do Administrador, uma profissão de futuro e do futuro, sem a qual a sociedade não mais teria capacidade de entender os mecanismos de funcionamento das empresas, um amálgama de procedimentos, entendimento de legislações, manutenção e prospecção planejada de novos negócios. Por essa razão é que os candidatos a Administrador devem procurar bons cursos. E bons cursos são os que exigem presenças, puxam pelos neurônios nos trabalhos e provas, incentivam leituras e cobram resultados. Os outros são auto-engano.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15/09/2006.

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