AINDA FIDEL: HISTÓRIA, MORTE, O AGORA E O FUTURO – Jornal O Estado

A história
O jovem Fidel Castro virara um guapo advogado. Não gostava de saber que Cuba- distante apenas 90 milhas da Flórida- era conspurcada pelos “gringos” em busca de negócios, de jogos e de prazeres. Revoltado e idealista, tenta derrotar Fulgêncio Batista, o ditador apoiado pelos Estados Unidos. Restou preso e condenado.
Depois de libertado, exila-se no México. Frequenta grupos de jovens “revolucionários”. Pesquisa teoria e prática de luta armada. Conhece Antonio Del Conde, mexicano, da mesma idade dele. Conde ensinava tiro, vendia armas e reformava um velho iate, “Granma” (Vovó, em inglês) que é comprado por Fidel. Paga dez mil dólares, e 20 mil após a vitória.
Navega, com partidários. Aporta e sobe a “Sierra Maestra”. Após escaramuças, marca a data do ataque fatal. Havana em festa na virada de ano (1958/59). Pega Fulgêncio de surpresa, que foge. Começa a era Fidel. Primeira visita: EEUU.
Em seguida, declara-se comunista. John Kennedy – JFK, mal assessorado, tenta, sem êxito, invadir Cuba via Baía dos Porcos. Castro alia-se à Rússia de Khrushchev, que instala míssil na ilha com mira certa. Guerra Fria esquenta. Faltou um triz.
JFK decreta o bloqueio de Cuba. Fidel fardado, civil que era, vira “El Comandante” e propaga, mundo afora, a sua ilha. Arma os soldados e defende países, em guerra, na África. “Che” Guevara, médico argentino, desponta e, logo, se desencanta. Deixa a revolução e é morto na Bolívia. Os restos de “Che” estão em Santa Clara, perto de Cienfuegos.
A morte
As cinzas de Fidel foram colocadas dentro de urna de vidro semicoberta pela bandeira nacional. Saíram de Havana na “Caravana da Liberdade”, no dia 30 de novembro passado. A urna jazia em plataforma sobre rodas, deixando à mostra muitas flores brancas – símbolo da paz que nunca houve, desde 1959. Um veículo militar protegido por soldados fora atrelado à plataforma e começava o périplo, país a dentro. Paz ou guerra?
Foram 900 quilômetros até chegar a Santiago de Cuba, cidade natal de Fidel Castr Ruz, filho natural de senhor de propriedades.
A Folha de SP, página A16, de 04 deste dezembro, dia do funeral, relata que “entrevistar cubanos é extremamente difícil… Nunca se sabe o que estão realmente pensando ou qual parte do que pensam não querem que se saiba por medo das consequências”.
Desde 1959, a Flórida recebe milhares de cubanos, pobres e ricos. De Estado atrasado agiganta-se, graças aos latinos e, foi decisivo, em novembro, para eleger Trump. Fidel morre no Black Friday. Ironia “capitalista”.
O agora e o futuro
O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez tinha nove anos quando viu Fidel entrar, vitorioso em Havana. Hoje, quase setentão, diz: “… depois que vi o féretro, fiquei pensando nesse arco de tempo, entre a primeira imagem e a segunda, e isso teve um impacto em mim, toda minha vida transcorreu entre esses dois momentos. E seria outra vida se Fidel não tivesse existido”. Os americanos redescobrem Cuba, graças a Obama, e a vida cursa.
Com a posse- se nada acontecer até lá- de Donald John Trump, surge, em janeiro, uma nova versão da relação entre os EEUU e Cuba. Quem viver, verá. Só não se sabe como será.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 16/12/2016.

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