Há exatos 20 anos um grupo de jovens empresários e profissionais liberais, a maioria já rotarianos, decidiu fundar um novo clube de Rotary. Imaginavam que poderiam fazer algo diferente e tinham gás para isso. Procuraram o saudoso Cláudio Martins, o guru rotário de então, e esse deu total apoio e sinal verde. Foi a tramitação mais rápida, até então, de toda a história do Rotary. Em questão de dias o “International Board” aprovou a criação do Rotary Club de Foraleza – Aldeota.
Para quem não sabe o que é Rotary eu diria que a ideia partiu, em 1905, de um advogado americano chamado Paul Percy Harris que, sentindo-se isolado em Chicago, resolveu juntar um grupo de pessoas de profissões diferentes para a troca de informações e ter algumas metas sociais, éticas e filantrópicas. Essas pessoas reuniam-se em locais diversos por sistema rotativo, daí a palavra “rotary”.
A ideia de Paul Harrys tornou-se grande, mais do que ele pensava e difundiu-se pelo mundo afora dando um destaque especial ao que se tornou o maior clube de serviço do mundo, com 1,2 milhões de asssociados e 27 mil unidades. Para ser rotariano você tem que responder a uma prova quádrupla: é a verdade?, é justo?, criará boa vontade e amizade? e será benéfico para todos?
Anteontem o Rotary-Aldeota comemorou os seus primeiros vinte anos de existência e, se me lembro bem, logo após sua fundação, teve o crédito da ideia e da participação na execução da campanha de geração de recursos e doação de mil cadeiras de rodas a deficientes físicos. Igualmente, conseguiu, nos seus primeiros anos, um número razoável de palestrantes de excelente nível e ter frequência 100% .
Àquela época foi produzido um documento com o título: ” Um novo Rotary – da ideia à realidade”, que dizia, em um dos trechos, o seguinte: “O poder de um clube de serviço reside no esforço, na capacidade e na ação conjunta de seus membros em favor de um objetivo comum, de modo a assegurar a sua presença no espaço social. Por conseguinte, a importância de um clube não deve ser medida em função de anos de existência e do número de associados mas, e principalmente, pelo papel que desempenha , no efeito-demonstração que exerce na comunidade a que serve, na autoridade que reflete no círculo social da área em que está inscrito e da rede de sociabilidade que gera”.
Há muito deixei o Rotary-Aldeota, mas lembro bem dos ex-companheiros e da camaradagem entre a maioria. Sei que há novos membros, inclusive mulheres, ideia que advoguei à época. Tenho a convicção de que os atuais dirigentes do Aldeota estão reenergizando o clube e preparando-o para entrar na idade adulta dentro da coerência, confiança e continuidade, indispensáveis ao cumprimento da visão atual do Rotary. Parabéns.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 26/03/2000.

