AMIZADE E AMIGOS – Diário do Nordeste

Porque hoje é o Dia do Amigo e o Dia Internacional da Amizade é que procuro na minha já não tão breve vida uns poucos amigos a quem, por exemplo, possa recorrer em caso de necessidade. E incluo, de saída, os meus irmãos, cheios de defeitos, mas com a capacidade de chegar junto quando é preciso. Em seguida, alguns vindo quase todos do século passado, e me conheceram no colégio, nas universidades, no trabalho, em meios a livros, comidas e copos, nas viagens e foram, como se fossem um precioso néctar, depurando até estar hoje no ponto. E esses amigos sabem, mesmo sem nomeá-los, que podem contar comigo. Não a amizade espalhafatosa, a história do amigo-irmão, nada disso. Eles são amigos sem adjetivação. São os que nos veem tal como somos e não projetam as suas carências, frustrações e desenganos. Independente da conta bancária, status social e de quaisquer tipos de importância. Faz tempo, muito tempo, o amigo Tancredo Carvalho recebeu um telefonema meu. Eu o convidava para almoçar. No seu jeito brincalhão, ele respondeu: logo hoje quando deixei de ser importante (ele havia deixado um elevado cargo público). E fomos jogar conversa fora – o almoço era apenas um pretexto – e ele me questionou: por que você não me procurou quando eu trabalhava no Palácio? Falei que lá iam os que tinham interesses e eu passo ao largo dessa ideia. E estive com ele até o dia em que se encantou e, depois disso, continuo amigo de sua família. Este único exemplo é para dizer do elevado grau de estima aos amigos que sabem do nosso jeito singular de humor e do exercício bilateral de uma espécie de curatela para reclamar de excessos pessoais e, em contrapartida, aceitar críticas e reparos. Esses entes queridos, homens e mulheres, estão espalhados por vários lugares, neste Brasil e outros continentes. E a distância, ainda bem, pode ser suprida com ocasionais visitas, e-mails, telefonemas e, sobretudo, a certeza de que eles fazem parte da nossa vida. Assim, olho no retrovisor e vejo que o tempo não devorou amigos, apenas escoimou o joio do trigo.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 20/07/2008.

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