AO NOVO PREFEITO

Todos nós estamos felizes com o fim desta campanha eleitoral para Prefeito. Fortaleza e mais 30 cidades brasileiras tiveram 29 dias de prorrogação. Candidatos e eleitores estão saturados. Apurados os votos, definido o eleito, gostaria de fazer algumas sugestões.
Sei que as promessas foram muitas. Algumas exequíveis, outras decorrentes do clima da campanha e da imposição de marqueteiros políticos, a doce reencarnação eletrônica e midiática de Maquiavel nestes estertores de fim de milênio.
Tenho algumas sugestões, simples, sem precisar de muito dinheiro e fáceis de serem executadas. Só precisará de modéstia para examiná-las e torná-las factíveis. Muitas vezes, o simples é tão óbvio, mas não se vê. Alguém da equipe do prefeito eleito deve ter cuidado de registrar o que foi prometido. Essa mesma pessoa poderia, se desejar, agregar as idéias abaixo. Por outro lado, seria bom que a nova equipe fosse definida logo para a sociedade tomar conhecimento de seus nomes, de seus planos de trabalho e das fontes dos recursos. Fortaleza vai cobrar as promessas feitas, mesmo as mirabolantes. Daqui há quatro anos os eleitores serão ainda mais esclarecidos.
Mas eu falava de sugestões e aí vão elas. Vou enumerá-las para tornar mais fácil. 01. É preciso que a Prefeitura e o Governo do Estado passem a agir com maturidade, bom senso e equilíbrio. Governador e Prefeito são prepostos da população e a ela devem satisfação. Não fica bem essa disputa boba e sem sentido entre Estado e Prefeitura, quando poderiam, entre outras coisas, somar esforços para erradicar os habitantes das áreas de risco, melhorar as condições sanitárias da cidade, equipar os hospitais e definir, seguindo a Constituição, quais as reais áreas de competência do Município e do Estado. Um exemplo dessa briga boba é uma placa colocada no local do antigo Fórum Clóvis Beviláqua, dizendo ser a área de propriedade do Estado. Na verdade, a área é do povo e a ele deve ser restituída, futricas e vaidades à parte. 02. Todo final de ano a Praça Portugal é lindamente decorada. Por que não deixar a iluminação permanente, tirando apenas os adereços natalinos?03. Por que não se aproveita o largo em declive defronte ao Labomar e ao Edifício Granville na Beira Mar e se faz uma praça bonita, com um relógio de sol e canteiros de flores?. Não há flores nas praças de Fortaleza. 04. O Mercado Central dá as costas para a Monsenhor Tabosa e o Centro Dragão do Mar. Bastaria uma alça metálica, com uma desapropriação mínima, para ligá-lo ao maior corredor de compras da cidade. 05. Considerando que as casas que margeiam o lado sul da Avenida Leste Oeste (do viaduto do Marina até à Escola de Aprendizes Marinheiros) não devem ser retiradas, por que não torná-las atraentes, pintando-as de cores diferentes, como se fosse um grande casario e gramando os acessos paralelos à antiga via férrea? 06. Falou-se tanto em “parada fácil” para ônibus, por que não fazer três: nas saídas da Unifor, da Uece no Itaperi e da UFC no Pici? 07. Os taxis locais são de todas as marcas e cores, mas poderiam ser padronizados com um simples adesivo axadrezado com as palavras:Taxi, Fortaleza com amor. Custa fazer? 08. Por qual razão não se utiliza a Rua José Avelino para escoamento de parte do tráfego da Monsenhor Tabosa?. Bastaria alargá-la (enquanto não há edifícios), asfaltá-la e fazer um binário à altura do Sebrae. 09. Criar uma linha de jardineira (ônibus abertos) para turistas entre a Beira Mar e o Mercado Central, passando pelo Centro Histórico, Monsenhor Tabosa, Mercado dos Pinhões, Praia de Iracema e Beira Mar. Qual o impecilho? 10. Criar postos anticorrosivos de salva-vidas ao longo da orla marítima, da Barra do Ceará ao Caça e Pesca. Pessoas se afogam por falta de assistência imediata. 11. Já que não se pode extinguir, por falta de empregos, por que não institucionalizar a atividade de “vigilante de veículos”? Cadastrados, com crachás, fardados e treinados poderiam ser distinguidos de marginais. 12. Em todas as avenidas abertas há grandes paredes remanescentes de desapropriações sem tratamento paisagístico. Por que não utilizar pintores populares e embelezá-las?13. Criar um painel informativo computadorizado na frente do IJF, mostrando o atendimento diário, a internação instantânea, os acumulados no mês e no ano.
Vou parar por falta de espaço. Não de ideias.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/10/2000.

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