Depois que o jornalista Alexandrino Rocha, secretário de imprensa do primeiro governo de Miguel Arraes, sentiu o ar da liberdade, após cinco prisões pelo governo militar, resolveu voltar ao batente e o fez na sucursal da revista “Manchete”, da Bloch Editores, em Recife. Trabalhava com Fernando Luiz da Câmara Cascudo, Editor.
Juntos, Alexandrino e Fernando, resolveram criar a “Carta Econômica do Nordeste”, boletim com periodicidade semanal do acontecido no desenvolvimento da região. Escolheram-me para ser o correspondente local desse boletim, pois, à época, eu mantinha coluna sobre “Administração&Negócios”, no Correio do Ceará.
Esta introdução serve para narrar que a revista acabou anos depois e Fernando foi morar em Moçambique e lá escreveu, em 1979, o livro “Moçambique – Terra dos Traídos”. Lembro que Fernando era filho de Luiz da Câmara Cascudo, historiador, etnógrafo, folclorista, antropólogo, ensaísta e a maior figura da cultura regional, uma das fontes de inspiração de Ariano Suassuna. Para, em seguida, dar cursoà carreira gloriosa sobre a qual todos já falaram.
Umanoite, Natércia Campos, pediu-me que fôssemos ao Theatro José de Alencar ouvir palestra do Ariano. O cumprimentamos, sentamos na primeira fila. Ele com a camisa vermelha, calça e casaco pretos. Aula. Esqueci-me, todavia, de contar a ela o ora relatado a vocês logo acima. Natércia, em 2001,organizou o livro “Alpendres de Acauã”, do seu amigo Osvaldo Lamartine, seguidor de Cascudo, com aval de Virgílio Maia e Côca Torquato, discípulos de Ariano.
João Soares Neto
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 03/08/2014

