ARIMATÉIA SANTOS – Jornal O Estado

Após luta renhida, José de Arimatéia Santos deixou-se levar aos 81 anos, cercado por sua família nuclear. Partiu com a tranquilidade dos que sabem ter trilhado o caminho dos justos. Arimatéia foi, em vida, uma pessoa rara. Ele conseguia ser fiel, ao mesmo tempo, ao Grupo Edson Queiroz, ao qual dedicou meio século de trabalho; à família, especialmente, D.Isolete, sua musa em tantos versos compostos, às filhas Mônica e Fernanda, aos genros Otávio e Fernandes, e aos netos. Reunia essa turma e, todos os anos, viajavam pelo mundo afora. Era também leal ao Lions Jangada, o clube de serviço que integrava; à Saerg, sociedade benemérita por ele criada, que amparava jovens paupérrimos; aos colegas do cooper matutino na Beira-Mar e aos amigos da Turma dos Sábados, fundada na TV- Verdes Mares, ainda quando o Chanceler Edson Queiroz era vivo. Cordial, capaz e simples, Arimatéia era referência na equipe que ajudou a formar um dos mais sólidos e respeitados grupos econômicos do Nordeste. Como cidadão, criou um núcleo de assistência médica e educação rural, com salas de aula, ampla biblioteca e foco no ensino de informática a crianças e jovens. Orgulhava-se da banda instrumental por ele fundada, tudo em Guanacés, seu berço, distrito de Cascavel. Como letrista bissexto e diletante, teve CDs gravados, inclusive pelo Quarteto Iguaçu, do Paraná, destacando-se a música “A janela da Vida”, na qual escancarava o amor por D.Isolete. Se é certo que existe um paraíso celestial a acolher os bons de espírito, sem dúvida, nesse insondável espaço, Arimatéia deverá ter entrado, não pela janela, mas pelo acesso reservado aos retos de conduta e puros de coração, como ele o foi. Seu nome, José de Arimatéia, é o de um dos maiores amigos de Jesus, a quem abrigava em sua casa e para quem cedeu o próprio túmulo. Arimatéia, gente de bem, certamente foi recepcionado pelos santos que, em conjunto, a ele emprestaram seu sobrenome. Reunia as múltiplas qualidades de filho exemplar, irmão presente, marido leal, pai extremado, profissional correto, colega e amigo de quantos tiveram a oportunidade de gozar, por muitas décadas, de sua companhia cordial e folgazã. Deus o guarde.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 31/07/2009.

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