AS SARAIVAS – Diário do Nordeste

O Padre João Saraiva Leão, ex-Capelão da Santa Casa de Misericórdia, foi, no dealbar do século passado, figura de proa no clero. Culto, virtuoso e destemido. Além disso, o valor de ser líder dos Saraiva Leão. Falo disso, pois sou seu sobrinho-bisneto, neto que sou de Luiza Saraiva, sua sobrinha. Ela foi aluna do Colégio da Imaculada Conceição, de quem recebeu como distinção/ prêmio o livro “Le Parc do Mystére”, da Societé St-Augustin, Desclée, De Brouwer & Cie, na França e Bélgica. Em bico de pena: “Premio do C.da. I.C. 3ª. Classe, 1ª. Divisão, em 27 de dezembro de 1912”.
Luiza, essa menina estudiosa, veio a casar com o farmacêutico João Caminha Monteiro que, muito jovem, morreria de câncer. Era pai de Margarida, minha mãe. Quando minha avó, desolada e viúva, aos 40 anos, com uma récua de filhos a criar, foi o seu tio, o Pe. João Saraiva Leão, quem a ajudou a comprar a casa de morada.
Dito isto, falo de duas outras Saraivas, as irmãs Ediméa e Maria Alice, primas de Margarida. Elas, ao amadurar, resolveram contar suas histórias pessoais e o fazem com graça e desenvoltura. Ediméa narra a sua saga no livro “Costurando Minha Vida”, quando poetisa: “Costurando minha vida/também costurei bonecas/ Eram lindas e bem vestidas/Pareciam que tinham vida… Não falta nada mais/Na costura tudo fiz/Bordados, bainha e festão”. Maria Alice lançou “Vida Plena”, aos 90. “Uma lição de vida”, diz a filha Mafata. Com depoimentos, filhos e netos ressaltam o amor por sua mãe e avó, viúva de José Oriá Serpa, um homem de bem. Este breve resgate familiar é, para mim, sentimento de justiça e alegria.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 25/11/2012

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