BÊ, A BÁ DO AUTISMO – Jornal O Estado

Pessoa amiga liga e diz ter descoberto que um descendente é autista. A família ficou desolada. Há cinco anos procurava respostas sobre a não interação, a não comunicação e o comportamento da criança. Foram a muitos lugares e médicos. Agora, veio o diagnóstico.
Tentei falar que a própria criança autista não se vê deficiente. Cada um deles vive o mundo da forma que a sua configuração genética determinou. Quem pode aferir o pequeno ou largo mundo que transita nas sinapses de cada um?
Procurei, como leigo, ler sobre o assunto e parece não existir um pensamento uniforme na ciência médica sobre o tema. Do que li – e se soube ler – genes podem estar comprometidos, bem como há fatores exógenos como poluição, complicações durante a gravidez, infecções causadas por vírus, contaminação por mercúrio e outros.
Segundo o CDC, Center of Disease Control and Prevent, dos Estados Unidos, com dados de 2006, nasce uma criança autista para cada 110 partos. A incidência maior seria para o sexo masculino (1 para cada 70) que poderia ser acometido do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Há, na internet, uma revista sobre o assunto: “Autismo – Informação Gerando Ação”. Descobri também que na Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais há gente comprometida com o estudo. Recolho e repasso o nome do médico Walter Camargos Junior, cujo e-mail está explícito: waltercamargos@uiavip.com.br
Há um questionário de triagem, decerto conhecido por pais dessas crianças, mas, por via das dúvidas, o cito. Ele consta de 23 itens que devem ser observados.
Em face dessas constatações, cada uma com a singularidade que apresenta, decidi apoiar a realização de exposição que vai transcorrer por todo o mês de abril. Será de responsabilidade da instituição benemerente PINTANDO O SETE AZUL, ainda sem sede definitiva, fundada em 2015, assistindo a mais de 100 famílias, seus professores e alunos.
Essa exposição constará de 32 fotos de portadores, palestras, vídeo com imagens de mais de 100 crianças e pessoas associadas, tudo ao som de músicas apropriadas. Esclarecimentos poderão ser prestados no local da exposição, Av. Carapinima, 2200, Benfica, Fortaleza, primeiro piso. É gratuita e aberta ao público.
Hoje, sexta-feira, 1º. de abril, às 19 horas, haverá a solenidade de abertura no local indicado. Amanhã, sábado, às 10 horas, haverá palestra do autista Nelson Marra, que é ídolo de muitos e veio, do Rio de Janeiro, especialmente para o evento. A Exposição funcionará no horário de 10 da manhã às 22 horas. Nos domingos, das 15 às 21 horas.
Este artigo resulta da consciência do problema e é um compromisso que devemos assumir com o próximo, independente da forma da comunicação atingível, do mesmo modo, com o mesmo carinho e com o respeito que devotamos a todas as pessoas.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 01/04/2016

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