Autoridades, meus familiares, colaboradores, colegas das Academias a que pertenço, representantes de Entidades assistidas pelo Shopping Benfica, integrantes da Academia de Letras estudantil, criada por nossa inspiração; e, em especial, os que compõem a mesa diretiva, nas pessoas da Desembargadora Iracema Vale, e do dirigente dos trabalhos, Deputado José Sarto Nogueira.
Espero ser breve para ser ouvido porque nesta noite de terça-feira se deslocaram de suas casas, de seus trabalhos e estão aqui neste Plenário. De antemão, muito obrigado a cada um. Sintam-se acolhidos.
Devo, por reconhecimento e princípio, agradecer ao Deputado José Sarto, que alia a destreza de médico cirurgião ao político que chegou à presidência desta Assembleia Legislativa por sua liderança cautelosa, pois ausculta seus pares, antes de tomar decisões de interesse público. Tanto é verdade que estou aqui, por decisão e aprovação uníssona do plenário. Receberei honrado, a Comenda Edson Queiroz, instituída por lei, em 1982.
Muito obrigado, Presidente José Sarto e a todos os deputados que se acostaram ao mérito desta premiação.
Merece reconhecimento o Presidente do Sindilojas, Cid Alves, que, em reunião com a sua Diretoria, indicou, por ofício, o meu nome a esta Casa, obedecendo aos trâmites necessários.
Lojistas são empresários que, no dia a dia, servem ao povo, na competitiva tarefa de lidar com a concorrência, formal e informal, acompanham os avanços tecnológicos para se manter up to date.
Minha gratidão ao Presidente Cid Alves.
Agora, falo de Edson Queiroz, o Patrono.
Edson Queiroz foi lojista. Aos 24 anos, em 1949, criou o “Abrigo Central”, ao norte da Praça do Ferreira. O Abrigo era a versão primeira de um centro comercial simples, aberto para atender a todos os que chegavam e saíam do então, coração da cidade. Delmiro Gouveia, cearense, foi o pioneiro no planejamento e construção do “Centro Comercial do Derby”, em Recife, Pernambuco, no ano de 1899. Delmiro foi o Edson Queiroz de sua época.
Provado está que Edson Queiroz, o maior empresário cearense de sua geração e quiçá do século, construiu, em velocidade supersônica, um conglomerado de empresas, a partir do gás liquefeito de petróleo- GLP. E foi longe.
Montou um sistema de comunicações integrado, cresceu na agroindústria, multiplicou-se em alimentos e bebidas, idealizou e fundou a Universidade de Fortaleza, hoje a maior universidade privada do Nordeste. Possui um dos maiores landbanking do Brasil.
Edson ultrapassava o regional e se agigantava, como zênite, no cenário nacional, sendo destaque em premiações recebidas Brasil afora. Tinha sede de conhecimento e fazer bem feito. Era simples, direto, inteligência pulsante, gostava de cantar, dançar e fazer mágica para os netos.
Edson Queiroz, aos 57 anos, morreria em desastre aéreo, em 08 de junho de 1982. Duas semanas depois, o estado do Ceará, editava a Lei 10.695, no 22 de junho do fatídico 1982, que homenageia, anualmente, empresários cearenses.
D. Yolanda e Airton Queiroz, apoiados pela família e colaboradores, continuaram a missão e fizeram crescer a sua obra. Hoje, filhas e netos, de forma integrada, dinamizam o Grupo Edson Queiroz, discreto, bem estruturado e sólido, a partir de Holding capitaneada por Abelardo Rocha Neto, Edson Queiroz Neto e Igor Barroso Queiroz. Formação adequada, talento e herança genética.
Parafraseando Friedrich Nietzsche: “O que provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte”. A aura de Edson Queiroz pastoreia, de longe, as muitas coisas que criou.
Creio que Edson Queiroz serviu de inspiração e referência a todos os micros, pequenos, médios e grandes empreendedores cearenses.
Agora, nesta noite, sou o homenageado.
Sou um batalhador há muitos anos, 50 para ser preciso.
Em 1969 fundamos a Planos Técnicos do Brasil (vejam a petulância do nome), a primeira empresa cearense a trabalhar com planejamento integrado para a elaboração de Planos Diretores e de Projetos de financiamentos para a construção civil. Daí partimos para edificações, hotelaria, saneamento, estacionamentos, cinemas e centros comerciais. Tudo pequeno, acreditamos no ditado “Small is beautiful”. O pequeno é bonito.
Tudo o que sou, agradeço a uma visão heterodoxa, inquietude, inventividade, arrojo e, principalmente, saber agradecer àqueles que me ajudaram e estiveram ao meu lado neste meio século.
Já assinei mais de 30 mil carteiras de trabalho e resisti, sabe Deus como, às múltiplas crises brasileiras. Não sou grande, tampouco médio ou pequeno, sou inquieto e inveterado leitor a procurar saber os caminhos da faina, e da literatura. Ao redor do mundo (aqui e alhures).
Ao conceber o Shopping Benfica, matutei, planejei e entendi que pessoas desassemelhadas poderiam conviver num centro comercial compacto, ousado, com atividades permanentes nas artes e nas formas de cultura, para dar aos clientes, sentimento de pertença, envolvimento, bem-estar e interação. Somos pessoas de naturezas diversas, antes de sermos consumidores. Aceitar as diferenças, encantá-los com atividades culturais, de artesania e de arte, projetos permanentes, de todas as naturezas.
Amanhã, 30 de outubro de 2019, o Shopping Benfica completa 20 anos.
Desafiei a geografia local, que privilegia a zona leste da cidade e aonde estavam e estão assentados empreendimentos congêneres. Ousei acreditar no pequeno bairro do Benfica, sofrido com a perda para o Pici da área de ciências e tecnologia.
Descobri que os 17 bairros que o circundam estavam em nosso raio de ação e cuidados. Foi duro. Muito duro, mas realizei este sonho da maturidade.
Na inauguração, realizamos uma grande exposição, doando grandes telas nuas e tintas para mais de 80 artistas plásticos cearenses. Eles acreditaram e pintaram ao vivo. Foi lindo. Os dois vencedores receberiam passagens para a Europa e os Estados Unidos. Emília Porto e Audifax Rios. Nascia a Galeria BenficArte que já realizou 412 exposições.
Tudo isto acontecia, em 30 de outubro de 1999, sábado, à luz do sol, ao som harmônico da Camerata da Universidade Federal do Ceará.
Até hoje, as artes plásticas, as várias formas de cultura, no Projeto Viajando nos Livros dá excelente resposta.
Incentivamos os trabalhos manuais e artesanias para pessoas sãs e até de portadores das mais diversas síndromes. Temos programação musical ao vivo, com artistas emergentes.
Ousamos e fizemos sessões de cinemas gratuitas para jovens e adultos cerceados de liberdade. Salas cheias, sem evasão.
Na área cultural, temos convênio experimental com a Biblioteca Municipal Dolor Barreira. Nas artes e na tecnologia, firmamos com o Instituto Federal do Ceará, Campus de Fortaleza, com a duração de cinco anos, a vencer em 2024.
Este é o diferencial do Benfica. Está na ânima (essência) dele. Pois foi assim e assim será.
Agora, 20 anos depois é o hoje, continuamos na mesma trilha. Com orgulho, podemos afirmar que a SECULT- Secretaria da Cultura do Governo do Ceará já nos outorgou, por oito vezes consecutivas, com o Selo de Responsabilidade Social, inclusive, na categoria Diamante. Nenhuma outra empresa ou entidade cearense, pública e privada, detém este laurel.
Todos os presentes a esta solenidade são convidados a comparecer e a comprovar amanhã, na nossa festa de 20 anos, que começará às 18 horas, o que o Shopping Benfica faz para ter colaboradores, lojistas e clientes como parceiros e amigos. O bolo (fruto de um reality show) que era linear e atingiu 19 metros no ano passado; agora verticalizou e tem 20 andares. Haverá avant-première da decoração de Natal, concebida e realizada pelas mãos e os talentos de todos nós, que idealizamos, construímos e fazemos o Shopping Benfica.
Ouso, por fim, repetir o que Edson Queiroz deixou como frase – referência:
“Se algum dia vocês forem surpreendidos pela injustiça ou pela ingratidão, não deixem de crer na vida, de engrandecê-la pela decência, de construí-la pelo trabalho”.
João Soares Neto
29/10/2019

