Já vai longe o 17 de abril, em que Dilma foi vencida, na primeira rodada, na luta que vai prosseguir. Preferi ficar longe da TV, dos jornais, das redes sociais, telefones e afins. Na terça, 19, resolvi comprar e ler jornais estrangeiros. Alguns dos Estados Unidos. Outros da América Latina. A intenção era verificar como a imprensa de outros países nos vê neste momento crítico. Que realce nos dão?
O primeiro é o “El Nuevo Herald”, em espanhol, com circulação nos EEUU. A notícia saiu na sete e ocupa meia página com grande foto em fundo verde, o slogan “Pátria Educadora” e Dilma atrás de púlpito com as armas da República. Conclui: “A mandatária disse que o governo terá uma relação ‘diferente’ com os senadores para frear o processo através de uma interlocução qualificada”. O espaço foi o mesmo dedicado ao terremoto no Equador.
O segundo foi o “El Universo”, de Santiago de Guayaquil, Equador. Há pequena chamada na primeira que nos leva a 10, com espaço pouco maior. Um dos tópicos, diz: “Os analistas hão se mostrado céticos de que ela (Dilma) possa se manter no poder, ao destacar o espetacular fracasso da governante para obter apoio político, inclusive dos partidos que por muito tempo tinham integrado sua coalizão governante”. Uma submanchete informa que “a luta pelo poder continuará no Senado”.
O terceiro foi o “The New York Times”. O NYT faz chamada de primeira página com foto tipo 3X4 de Dilma e nos encaminha para a página A4. Lá: “O voto pró impeachment produz comemorações, mas ainda não chegou ao fim o caos (turmoil) no Brasil.
A matéria de Andrew Jacobs e Vinod Sreefharsha” não se limita a 1/3 de página e nos remete a A12. Abre com foto conjunta de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, dizendo que os dois são fazedores de lei (lawmakers) e “são submetidos a inquéritos por corrupção”. No corpo da notícia, se lê: “No momento, todos os olhos estão no Sr. Temer, o vice-presidente, um homem taciturno que tem uma longa preferência pelas cenas de bastidores. Entretanto, ele é também objeto de uma petição de impedimento, muitos experts acreditam que a matéria cairá em razão do interesse a estabilidade nacional”.
O quarto foi o “USA Today”. Folheei todo. Nada. Deixei, por último, o jornal “Clarín”, de Buenos Aires, Argentina, mas do dia 18, pois a proximidade dos “hermanos” permitiu notícia quente, logo na segunda-feira. Na capa: “Grande aval dos deputados ao juízo político.
Brasil: Dilma ficou mais perto de ser destituída”. Em seguida, comenta o resultado de 367 a 137 e nos manda ir à página 3. Na página 3 não há nada. Sorrio. Folheio o “Clarín” e encontro em “El Mundo”, folhas 24 e 25. Lembro que o Clarín usa o formato de tabloide do “O Estado”. Na página 24 há foto de Dilma com Temer em que ambos confidenciam, pois estão com mãos sobre as bocas. A manchete: “Michel Temer, um político hábil e calculador detrás do poder”. Eduardo Cunha é chamado de acróbata (titiritero) nas sombras das crises”. Na 25 há foto colorida dos manifestantes em Brasília, “separados por valas”.
Abaixo há dois pequenos artigos. Um de Ricardo Noblat, editorialista do jornal O Globo, com o título “A democracia será mais forte”. Outro, do deputado do PT do Acre, Raimundo Angelim, “Um processo que dividirá o país”. Por fim, deixo a critério dos leitores a interpretação dos textos que citei para informá-los como os outros nos veem. O que diz você?
João Soares Neto,
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29/04/2016.

