Daqui a uma semana você estará escolhendo a pessoa que governará o Brasil. Você tem sete dias para pensar, decidir, confirmar o seu voto no primeiro turno ou mudá-lo. Como hoje é domingo, pense um pouco no Brasil de hoje, esse gigante de quase 200 milhões de habitantes, tomado, sem grandes traumas, dos portugueses, nossos colonizadores. Em 1799, o Brasil tinha três milhões de habitantes e, pasmem somente 12 médicos, todos formados no exterior. Nessa época, as sujeiras das casas eram jogadas pelas janelas. Quem passava pelas ruas, sem pavimento, pisava nelas. Em consequência, as doenças proliferavam e a vida média de uma pessoa era de 30 anos. A médica Cristina Gurgel, professora da PUC- Campinas, SP, publicou o livro “Doenças e Curas: O Brasil nos primeiros séculos”.
Ela diz que no século XVII de cada três crianças nascidas no Nordeste, uma só sobrevivia. É claro que a chegada, forçada por Napoleão Bonaparte, da família real portuguesa, em 1808, trouxe melhoras para o Rio, a capital da colônia, e Salvador, a primeira capital. Cada uma ganhou até uma faculdade de medicina e rudimentos de saneamento básico foram aparecendo. Voltando a 2010 vemos que há ainda situações similares em favelas, especialmente no norte e nordeste. Quase todas as casas têm aparelhos de TV, sons, refrigeradores, movidos à energia elétrica legal ou não. Faltam atenção para a urbanização, a provável ausência de água e esgotos públicos, pavimentação decente e um arruamento simples que dê um ordenamento aos caminhos, vielas e os transforme em ruas iluminadas, com um mínimo de segurança.
A propósito, o filme “Tropa de Elite-2”, mostra agora outra face das favelas do Rio, a existência de milícias paramilitares que, a título de proteção, extorquem pequenos comerciantes. Não faço apologia do filme, tampouco o critico, apenas registro que ele é o maior fenômeno de bilheteria no Brasil, comprovado pela Nielsen, empresa que monitora a bilheteria dos cinemas no mundo. Do que vi e li, há uma percepção geral de que os espectadores saem meio pasmos do filme, como se tivessem levado um soco no estômago. E pisam nas ruas com medo de tudo e de todos.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 24/10/2010.

