Amanhã, em Fortaleza, acontece encontro dos países do acrônimo BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Será, quiçá, um novo 14 de julho na história. Em 1789, com a queda da Bastilha, houve o fim da monarquia francesa e a ascensão do Iluminismo. Agora, os cinco países, partem da vontade de encontrar respostas para problemas, interesses (criação de um banco) e oportunidades comuns. Têm estágios díspares de crescimento.
A Índia, 1,2 bilhão de gentes. É forte em tecnologia da informação, as cidades se modernizam e há um polo cinematográfico, o “Bollywood”. Porém, subsistem atividades escravocratas: 1,3 milhão são catadoras de excrementos humanos. Limpam buracos no chão e o que 178 mil trens espalham pelo País.
A China que conheço tem inúmeras avenidas paulistas, mega indústrias, e milhares de favelas planas, similares às nossas. É a segunda economia mundial e precisa alimentar 1,3 bilhão. Parte do povo, pela idade ou carências estruturais, destoa da febre de crescimento que hoje resplandece. E não para.
A Rússia de Putin deseja uma nova URSS com etnias e línguas distintas. Foi fulgente nas viagens espaciais e dura na Guerra Fria. Hoje, obstinada, desafia o ocidente, fornece gás e petróleo para a China e a Coreia do Norte. Dá mostras de voluntarismo sem ideologia clara.
A África do Sul, órfã de Mandela, livre de colonizadores, ensaia progresso, mas não se consolidou politicamente e tampouco diminuiu a pobreza, fruto do Apartheid. Cresce industrialmente.
O Brasil é o anfitrião.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/07/2014.

