A palavra bush significa arbusto. George W. Bush acaba de ser substituído por Barack Hussein Obama, deixando o poder com a pior popularidade de um governante nos últimos 50 anos. O que terá ocorrido de tão grave para a maioria da América pensar assim? Terá sido ele um arbusto a encobrir soldados americanos batalhando e morrendo em guerras sem sentido? Bush é republicano e representa uma espécie de fundamentalismo político, acreditando serem os EUA o centro protetor do mundo, com a capacidade de intervir onde achar por bem para assegurar a liberdade. Essa ação, ao procurar vingar o país dos ataques de setembro de 2001, o ano de sua posse, incorreu no erro de usar mentiras para justificar o ataque ao Iraque. Essa guerra, entre outras, foi deixada de herança. Por outro lado, o fim da prosperidade com a bolha das ações de tecnologia, os maus tratos em presos em Guantanamo e no Iraque e a inadimplência das hipotecas de imóveis deu origem à atual crise mundial, quebrando bancos, criando medo e demissões de milhares na indústria. Essa é a herança de Bush para Obama. Houve a perda de confiança no sistema financeiro e foi preciso a emissão de bilhões de dólares para tentar apagar o fogo da recessão. Não apagou, está em fogo-fátuo e aguarda os primeiros passos do governo Obama com demissões singulares – antes das nomeações – por conta de escândalos pessoais e fiscais. O representante da esperança das minorias raciais e sociais é agora de todos. Os EUA esperam o milagre da recuperação da autoestima nacional. Grande parte da humanidade, ainda aceitando a liderança americana, deseja soluções para as repetidas crises do Oriente Médio, o fim do embargo a Cuba, a aceitação dos muçulmanos, sua religião e ortodoxia sem taxá-los, sem provas, de terroristas ou ligá-los ao grupo Al Qaeda, de Bin Laden. Será lúcido admitir novas lideranças como Gordon Brown, da Inglaterra e Nicolas Sarkosy, da França e dos quase ricos Brasil, Rússia, Índia e China a pleitear menos protecionismo e maior participação nas decisões. Essa tarefa é para um novo super-herói, como acostumamos ver no cinema, desde o Super-homem até o Homem Aranha. Câmeras, ação.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 25/01/2009.

