De repente, recebo e-mail pedindo agregar meu nome a abaixo-assinado para o não fechamento do caderno cultural “Sabático”, suplemento do “Estadão”. Depois, vi que o abaixo assinado fora encerrado. Não explicaram a razão. O fato me fez lembrar o falecido Daniel Piza que o “O Estadão” ‘roubou’ da extinta Gazeta Mercantil. A Gazeta produzia, ao meu olhar, o melhor suplemento literário do país, o “Fim de Semana”.
Hoje, neste tempo em que o Enem modifica critérios consagrados do vestibular e paga menos de três reais a um professor para corrigir a redação de aluno, nada mais espanta. Os editores dos grandes cadernos não têm compromisso com a formação de público. São enfatuados e sabem da segmentação de temas a não depender da cultura/literatura para aumentar assinantes ou vender jornais em bancas. Escolhem articulistas iluminados ou amigos com textos não atraentes a jovens e às pessoas ditas comuns.
Um exemplo? O caderno “Ilustríssima” da “Folha de SP”, a partir do próprio nome, é pira das vaidades. Há pedantismo. D.igo isso por ser assinante da Folha há anos. A efemeridade do jornal e o relativo escasso número de leitores, mesmo em SP, hão produzido estragos no jornalismo cultural. Não confirmo o fechamento do “Sabático.” Afirmo, entretanto, ser preciso manter uma orientação nova e crítica nos cadernos de cultura e fazer indicações corretas de livros aos leitores.. Não basta publicar a relação dos mais vendidos pelas grandes livrarias. Elas são hoje uma espécie de loja mix e comerciam mais autoajuda e bestsellers. Literatura?. Muito pouco.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/04/2013

