CHUVAS E PROBLEMAS – Diário do Nordeste

O ufanismo de alguns por estar o Brasil em situação econômica razoavelmente confortável em meio ao vendaval do endividamento de países europeus não contagia a outros. O país está assim em função das matérias primas que exporta nesta terra que, mesmo castigada, produz o que no mercado se convenciona chama de “commodities”. É claro que há um crescimento industrial, mas ainda não é o nosso carro chefe nas divisas. Por outro lado, o Censo de 2010 escancara a situação das favelas. Há mais de 11,4 milhões de pessoas morando em pequenas e grandes favelas. O Estado do Pará, a riqueza amazônica brotando ao lado, tem elevado grau de favelas que, dia a dia, aumenta. São mais de 1,2 milhões de favelados. A cidade de Belém adiciona ao problema o fato de parte dessa população morar em palafitas, apesar de uma das comunidades ser chamada de Terra Firme. Há favelas no Rio maiores que cidades. A Rocinha, por exemplo, tem quase 70 mil pessoas e não existe, em curto prazo, perspectiva de vislumbrar soluções que diminuam esse adensamento populacional. As casas térreas passam a agregar pavimentos, em função do casamento de filhos e afins. Além da ausência de uma urbanização mínima não há, para todos, água encanada, esgoto e coleta de lixo adequados e os parcos serviços públicos disponíveis são de duvidosa qualidade. Começa agora a época das chuvas e as encostas dos morros, os que sofreram abalos e provocaram mortes ano passado, ainda estão virgens de ações públicas eficazes. O Brasil sofrido precisa de atenção imediata dos governos. Abrigos, colchões e cestas básicas não são soluções.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/01/2012.

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