CIDADES INOVADORAS – Diário do Nordeste

Como bato pernas por aí afora e tive experiência na condução de planos de desenvolvimento urbano de cidades, quando existia o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo- Serfhau, cismo com a quase paralisia do Estado e das cidades brasileiras em face do já consagrado e usado em todo o mundo. Exemplos? Quase não temos trens metropolitanos. Um país perto de 200 milhões de habitantes tem rede de metrôs similar a da cidade de Nova Iorque. Está certo? E ferrovia nacional existe? Um país com costa imensa e várias bacias fluviais não pode ter no transporte rodoviário, usando estradas de baixa qualidade, a sua base logística. Portos são entrepostos de riqueza, por qual razão não os temos em maior escala? Os aeroportos brasileiros estão, pelo menos, dez anos atrasados em relação às operações do hemisfério norte. Como vamos querer turistas de qualidade se não temos capacidade de bem recebê-los? Cidades são atrações, desde que as tenham e mostrem. A maior circulação da riqueza existe por conta das cidades. Nas grandes cidades vivem mais da metade da totalidade da gente. E elas estão envelhecidas por falta de ousadia. Já não se fala da favelização endógena, mas da incapacidade de se dar soluções lógicas a problemas estruturais de inundações, saneamento básico, paisagismo, transporte, novas vias públicas e habitações para todos. Na próxima semana, em Curitiba, vai acontecer a Conferência Internacional sobre Cidades Inovadoras. Um dos conferencistas, o urbanista Jonas Rabinovitch, fala sobre o que poderá ser discutido: “Hoje em dia, não acredito que inovações urbanas sejam necessariamente tecnologias milagrosas ou fórmulas mágicas que automaticamente resolverão todos os desafios. Inovações são processos – não eventos pontuais – , mas precisamos apresentá-las pontualmente para que sejam entendidas.” Seria bom que gestores das grandes e médias cidades brasileiras acorressem a Curitiba para ouvir os palestrantes, de nível internacional, capazes de oxigenar ideias e dar informações que precisamos conhecer para agir. Afinal, temos um orgulho e um problema nacional, a Copa de Futebol de 2014. E o que fizemos até agora?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/03/2010

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