Agora que o Obama está em paz com a Hillary e a Dilma fez a sua bioplastia, vamos falar de coisas simples. E uma das coisas que incomoda a muitos é a falta de zelo e cortesia de alguns com a cidade. Semana passada, esperando o semáforo abrir, vi o motorista do carro ao lado jogar o conteúdo de um saco plástico pela janela. Ele usava o saco plástico para coletar o que não lhe servia, e a rua, como lixeira. Baixei o vidro e disse: isso não se faz! Ele, com cara de menino pegado no flagra, disse: “foi bobeira”. Não, não foi bobeira. Foi falta de educação, civilidade e respeito pela cidade. Não importa que ela esteja suja ou limpa, isso não nos dá o direito de ser mais um sugismundo. Situações como essa vivemos em outras ocasiões. Certa vez, um grupo de jovens em um “buggy” jogou um saco de lixo na rua. Parei, apanhei, emparelhei e disse que o saco pertencia a eles e não à cidade e devolvi. Eles, em algazarra, jogaram o saco sobre o capuz do meu carro. Recolhi e ri para eles. Não sei se a lição serviu, mas pararam de rir e fugiram. Creio que histórias como essas todos têm para contar. Quem não vê, todos os dias, pessoas levando seus cães para passeio e deixando ali seus dejetos nas combalidas calçadas. Já não basta desviar dos buracos e ambulantes, é preciso também não sujar o sapato com imundície alheia. Há ainda, além dos flanelinhas, os atletas de maratona e ciclistas de toda a ordem que resolveram, em nome de suas formas físicas, andar em bandos pelas vias públicas, ocupando espaços que não são só seus. E têm até atletas precursores que, apitos ou sinalizadores à mão, resolvem parar o trânsito nas esquinas para dar prioridade a seus colegas. Nada contra os esportes e os esportistas, mas há que haver um mínimo de atenção com o trânsito para não ocorrer acidentes. Nas cidades de hoje, onde os agentes de trânsito pouco orientam e multam sem clemência, parece cômodo ser omisso e não sofrer afronta de quem não faz a sua parte. O escritor italiano E. Amicis dizia: “a educação de um povo pode ser julgada, antes de tudo, pelo comportamento que ele mostra nas ruas. Onde encontrares a falta de educação nas ruas, encontrarás o mesmo nas casas”. Alguém duvida?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/02/2009

