Comida é energia. Todos tentam se cuidar, fala-se em vários tipos de alimentação. A orgânica está na moda. Homens cozinham para amigos e os “chefs” de cozinha têm status equivalente ao das celebridades. Alex Atala é, segundo uma lista, o maior cozinheiro do Brasil. Montou rede de restaurantes, através de franquias, e “está podendo”.
No mundo, o maior “chef” é René Redzepi, dinamarquês, dono do restaurante “Noma”. Acontece que esse Noma teve um problema com mexilhões infectados. Então, quem nos garante que os donos, cozinheiros e ajudantes dos milhares de grandes, médios e pequenos restaurantes cuidam de saber a origem e a qualidade dos alimentos que compram e cozinham?
Sabe-se que as grandes redes de supermercados, restaurantes e as de fast-food têm centrais de distribuição para regiões, estados ou cidades. Tudo é transportado, já em porções plastificadas, em veículos refrigerados. E quando o veículo quebra? Quem poderá afirmar se estão na temperatura certa e se suas propriedades não se alteram com as mudanças dos freezers para os balcões, as prateleiras, as cozinhas e daí para as panelas?
Quem trabalha nas cidades recebe vales refeições e, quase sempre, procuram os locais com preços mais baratos. A comida a quilo é uma “instituição”. Todos os dias milhões fazem um ato de fé ao comer. Ano passado, as melhores cozinhas do Rio foram flagradas com comidas vencidas, acondicionamento irregular e falta de higiene. Hoje, devemos ter o direito de conhecer as cozinhas dos locais onde comemos. Faça isso.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 19/05/2013

