CONVERSAS DE DOMINGO – Diário do Nordeste

Última quinta, lancei o meu quinto livro. Ele é um extrato mínimo de centenas de artigos e crônicas publicadas em jornal. Não os reputo peças literárias. São apenas narrativas breves e, aqui e acolá, artigos de opinião. Não os centrei apenas em meu umbigo. O mundo é o seu picadeiro. Tentei estabelecer a dimensão de fatos, sua conexão com a realidade, com a vida e o comportamento humano. Uso, por limitação de espaço, linguagem curta e simples para me aproximar do leitor. Cada leitor é um crítico e por tal razão os escritos são abertos às suas lupas para reflexões. Não fora a indução de amigos, certamente não sairia este livro. “Conversas de Domingo” é um acidental encontro com o outro, com os meus fantasmas, meus amores e sonhos. Quem escreve em jornal e assina o seu nome é alguém disposto a ser julgado a cada semana por sentimentos revelados ou opiniões emitidas. Raras citações usadas não demonstram erudição. Revelam, quem sabe, a procura de validação de alguém, exemplo ou referência, em sua área de conhecimento. Algumas semanas trato de ideias. Em outras, sou anima e cuore, relatando tristezas, emoções e alegrias. Abordo, vez por outra, aspectos de viagens ao redor deste mundo, rico e pobre, e as impressões capturadas pelo obturador da minha retina, acasaladas no meu hardware mental. Não sou guia, sou apenas curioso. Tenho o olhar pronto para o inesperado. Não sou teórico, detesto falação sem racionalidade ou lógica. Sou traído, algumas vezes, pela indignação ou a emoção à flor da pele, pedindo passagem ou assumindo o espaço da dor contida, revolta ou a alegria da esperança. Entendo o leitor como alguém capaz de tirar conclusões, a partir da sua história pessoal. Não sou noticiarista. Apenas procuro ficar atento a acontecimentos, datas e feitos. Não esquadrinhem certezas nos meus escritos, apenas relato o cotidiano, cuidando de não me tornar monotemático. Como falo de muita coisa é certo não haver aprofundamento. Tento apenas arranhar ou assanhar a curiosidade dos leitores. “Conversas de Domingo tem muito de mim, como vivo, meus estranhamentos e amores”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/09/2009.

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