CORTAR OU AUMENTAR? – Diário do Nordeste

Os ditos especialistas em contas públicas ­ só entendem de problemas fiscais depois dos fatos ­ dizem estarmos no teto máximo de impostos, daí ser preciso, por algum tempo (qual?) criar uma taxação adicional para nos tirar das enrascadas que, aliadas à incompetência e à contrafação generalizada, nos colocaram no buraco negro do hoje. A “OI” pediu recuperação judicial, R$ 65 bilhões. Maiores credores: BB, Caixa, BNDES e Fundos de Pensões, todos públicos. Como uma empresa que paga todos os impostos e não conhece os caminhos do favoritismo pode competir com quem é acumpliciado com o poder?
Divulgo as principais renúncias fiscais deste 2016. Cito em bilhões, cifra banalizada: Simples Nacional, para empresas – 77,4; Isenções e deduções do IR ­- 39,3; Zona Franca de Manaus e outras ­- 28,0; Desoneração da folha de pagamento -­ 25,9; Desoneração da cesta básica – ­25,2; Entidades sem fins lucrativos -­ 23,3; Benefícios do trabalhador -­ 11,0
São também beneficiadas: Poupanças e outras; inclusão digital; desenvolvimento regional; informática e automação; medicamentos; pesquisa e inovação; Olimpíada; infraestrutura; embarcações e aeronaves; setor automotivo; financiamento habitacional; transporte coletivo; cultura e audiovisual. Renúncias que custarão R$ 296 bilhões, neste ano. O saneamento básico só atende metade da população e há alto desemprego. Apesar disso, a Caixa patrocina clubes de futebol ­ que pagam salários exorbitantes a jogadores ­ e outros esportes e esportistas. A Petrobras patrocina marca da Fórmula Um. Cortar ou aumentar? Decida!

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 25/06/2016.

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