CRAJUBAR-2014 – Jornal O Estado

Estive, em decorrência de compromissos socais, pela segunda vez, neste 2014, no Cariri. A aproximação do avião mostra verdes vales cercados pela Chapada do Araripe (foto) que se ergue como uma natural barreira protetora tal como as cidadelas antigas. Como se sabe o Cariri separa geograficamente o Ceará de parte de Pernambuco, da Paraíba e do Piaui. O aeroporto regional Orlando Bezerra, em Juazeiro, possui pista adequada de pouso para aviões comerciais e a estação de passageiros cumpre o seu objetivo essencial.
A chapada difere, em muito, da caatinga e da orla litorânea cearense. Há história política e até conflitos armados vividos no seu povoamento e na institucionalização daquela grande área distante quase cem léguas de Fortaleza. Hoje, ela cresce com implantação recente da Universidade Regional do Cariri e outras entidades com cursos superiores pulsando o saber e ajudando a formatar o crescimento às margens das rodovias estaduais e federais com a implantação de indústrias, comércios de varejo, atacado e novas obras públicas estaduais nas áreas de infraestrutura viária, saúde, educação e segurança. As administrações municipais devem estar atentas à formação e a sedimentação de favelas e lutar pelo incremento de novas indústrias e a dinamização do programa “Minha Casa, Minha Vida”.
Na verdade, há, formalmente, uma região metropolitana do Cariri definida em 2009, além do Crato, Juazeiro e Barbalha, integram-na os municípios de Caririaçu, Farias Brito, Jardim, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Na prática, a resolução ainda precisa ter mais aprofundamento e escopo mais claro a redundar em mais benefícios e melhoramentos que os já atingidos.
Arquitetos definem por conurbação o fenômeno da urbanização de cidades vizinhas a formar um só aglomerado. Seria exagero dizer que Crato, Juazeiro e Barbalha são xifópagas, mas há uma junção espontânea que tende a adensar os seus vazios. Mais temerário ainda seria afirmar que os demais municípios formam um corpo uno. Há singularidades e, neste pequeno relato, detenho-me a comentar, sem preocupações maiores, apenas algumas observações aligeiradas – sujeita a erros e omissões – sobre os municípios pilares: Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha.
Crato mostra-se senhorial e altaneira em sua zona central e apresenta grandes residências nos caminhos dos geossítios. Embevecida, quiçá, com o papel de cedente da área física da vizinha Juazeiro do Norte, fundada pelo cratense Cícero Romão Batista, padre, político e demiurgo. O Crato pode ser mais do que é, isso fica claro ao visitante inquisidor e atento. É preciso algo que sacuda a cidadania em defesa do futuro próximo.
Juazeiro do Norte apresenta crescimento visível e já despontam – para o bem e para cobranças futuras de infraestrutura urbana – em seus céus altos edifícios multifamiliares à semelhança da arquitetura ora em voga na capital. Eles se misturam ao casario de singelos traços adornados por mosaicos e azulejos, sem esquecer das grades que imaginam oferecer segurança a seus ocupantes. A figura ícone do Padre Cícero é usada a exaustão como elemento de atração de romeiros de todo o Nordeste. Montou-se uma estrutura física que realça a crença popular e oportuniza o uso como fonte de receita o ano inteiro.
Barbalha, ao meu olhar, permanece intocada na plasticidade orgânica de tijolo, telha e tinta. Fiquei feliz ao ligar para Edilmar Norões e perguntar: “aonde estou”? Claro que não poderia adivinhar. Disse-lhe estar defronte à praça da igreja de Santo Antônio, que ele frequentava quando criança. No sábado morno, populares dançavam embalados por um forró pé de serra.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 30/05/2014

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