CRÔNICA DA SEMANA – Jornal O Estado

Esta semana foi intensa. Vi mais de 70 pessoas, de todas as idades, participando de um curso de bombeiro voluntário e primeiros socorros. Este curso é para quem pensa no outro e admite ter uma atitude modificando uma situação de emergência. Ser bombeiro voluntário é importante para todos e sua ação poderá salvar vidas e fazer a diferença.
Vi também a exposição de gravuras de Rembrandt (pintor e gravador holandês do século XVII, de arte realista) na Unifor e fiquei maravilhado não só com a obra em si, de todos já conhecida, mas com a forma profissional, didática e ‘classuda’ como aquela Universidade trata os acontecimentos de arte. Uma pessoa, mesmo sem nunca ter comparecido antes a uma mostra, sai de lá com uma sensação de inclusão, pois, de forma bem sutil, é guiada nas formas, no conteúdo e na vida do autor exposto. Sem medo de errar, acredito terem as exposições da Unifor um tratamento de alto nível técnico e plástico, só encontrado no Brasil em São Paulo e em grandes eventos.
Esta semana também estive, por várias vezes, no Hospital Geral da Unimed visitando amigos e pude verificar o zelo, a atenção e o espírito da equipe comandada pela Dra. Emair Borges. Há um compromisso disseminado entre todos, com a qualidade. Não a baboseira da total, mas a qualidade em si, a começar pelo tratamento paisagístico, o respeito ao meio ambiente pelos cuidados com os resíduos gerados. Vi a atenção aos usuários na tarja amarela identificando os degraus de cada escada e os avisos nos elevadores anunciando eventos e mudanças de comportamento. Vi também paciente sendo bem atendido e tendo alta médica um dia após cirurgiado, sem isso demonstrar pressa ou economia.
Nesta semana também tive o prazer de trocar horas de prosa com amigos inteligentes e instigantes. Tão instigantes a ponto de o tempo passar sem nos apercebermos. É bom estar com gente de bem com a vida, sem esconder sentimentos e deixar, apenas pelo companheirismo, a conversa correr sem policiar palavras, frases ou atitudes. E a tarde anoitou e a noite madrugou. E nesses dois momentos distintos e raros de enlevo renovamos a fé na amizade, não a travestida em interesses ou ademanes, mas a espontânea como a fala de uma criança.
E a semana já ia terminando quando falei ao telefone com o escritor Antonio Torres, candidato ao prêmio (nacional) Jaboti, por quem torço, não por compadrio, mas por já ter lido e gostado do seu novo romance “Pelo fundo da agulha”, um dos bem cotados em seu gênero. E gostei de ter ouvido a simplicidade do Antonio Torres dizer: “como este dinheirinho me faria bem”. Estou torcendo, Antonio.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13/07/2007.

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