Parodio Drummond, em “Passagem do Ano”. A meu ver, o último dia de qualquer fato/ não é o último dia da vida.
Começamos o ano de 2017 com o peso da experiência vivenciada em 2016. As lembranças, telefonemas, cartões, e-mails, WhatsApp e outros aplicativos nos deixaram, mesmo de passagem, mais próximos dos que compõem o nosso mundo familiar, afetivo, social, cultural e profissional.
Cada um, ao seu modo e circunstância, já teve a noção exata ou aproximada do que e como a avalanche nos atingiu. Se você passou incólume, dê graças e sorria para o mundo benfazejo. Aos demais, aqueles que a sentiram, no bolso e na alma, o meu apoio e abraço.
Não há lógica neste mundo cibernético a se falar demais em algoritmos, que são, na versão atual, aquilo que se fazia automaticamente, sem saber a inter-relação de atos simples como colocar um carro em movimento (introduzir a chave – ou o controle remoto – e abrir a porta, sentar no banco do motorista, acionar o motor e dar marcha ao veículo, sem esquecer-se do que possa ser visto no retrovisor, nos espelhos laterais e pelo para-brisa, tudo junto e misturado), o tráfego ou o mundo no nosso entorno.
Estamos neste janeiro de calor acentuado, expectantes em relação aos destinos das mudanças climáticas e das institucionais, ainda em curso. O país está atolado no terceiro mundismo a que se acostumou nestas quase duas dezenas de anos do século 21. Como mudar isso com o que somos e o saber acumulado?
Afora os afortunados funcionários públicos de alto escalão, os demais estão reticentes e atônitos com as incertezas públicas. Em contra partida, lembro existir um axioma a dizer: “Todo aquele a parar esperando as coisas melhorarem, verificará, bem cedo, que aqueles que não pararam e colaboraram com o tempo, estarão tão longe e jamais serão alcançados”.
Esse o dilema dos brasileiros, entre os quais os 12 milhões de desempregados, e os que, por conta própria, lutam a cada dia para superar obstáculos em país cartorial e excessivamente regulador e fiscalizador dos nossos mínimos atos.
Este mês de janeiro, no mundo real, surge com a obrigação de pagar além das contas de água, luz, telefone e cartões de crédito, o Imposto Territorial de Propriedade Urbana –IPTU e o IPVA, aos felizes detentores de imóveis e veículos.
Para os optantes pela educação privada dos filhos é tempo das matrículas em colégios e cursos superiores, sem esquecer o material escolar. Voltamos ao dia a dia: trabalho, telefonemas, olhos nos jornais, nos blogs e nas emissoras de rádio e de televisão, com expectativas de mudanças a nos injetar ânimo para continuar a jornada. Obrigado pela leitura. Não esmoreça. Lute. Abraço cordial.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06/01/2017.

