Em 1966, o gaúcho Viana Moog, que havia morado nos Estados Unidos, escreve o livro/ensaio “Bandeirantes e Pioneiros”, comparando a colonização e o desenvolvimento americano geométrico, pela ética calvinista, ao crescimento aritmético brasileiro, decorrente da herança católica e portuguesa.
Agora, Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP, agrega à historiografia brasileira, em três livros, seminários e exposição itinerante, retalhos significantes da vida empresarial começando com o menino pobre que virou o Barão de Mauá. Marcovitch parte do século XIX e perpassa o XX e, ao cabo, escolhe 24 empreendedores/pioneiros.
Nesse panteão estão dois cearenses: Delmiro Gouveia e Edson Queiroz. Delmiro nasceu no Ipu. Foi menino para o Recife e lá construiu o primeiro centro comercial no Derby. Ameaçado, vai para os confins das Alagoas extremando com a Bahia, onde explodia gloriosa a cachoeira de Paulo Afonso. Engenhoso e brilhante, Delmiro teve o pioneirismo de criar a primeira hidrelétrica do Brasil para movimentar a sua indústria de linhas. Morreu assassinado aos 54 anos.
Edson Queiroz veio criança de Cascavel, ajudou o pai comerciante e, tal como Delmiro, criou o primeiro centro comercial de Fortaleza, o Abrigo Central. Em seguida, explorou a venda de gás butano em quase todo o país, fundou indústrias, montou um sistema de comunicação e coroou sua vida implantando uma universidade, referência no Nordeste. Edson empregava milhares de pessoas quando faleceu aos 57 anos. Recomendo a todos em busca de um destino essa educativa exposição no Espaço Cultural da Unifor. Vale a pena. É grátis. Vá.
João Soares Neto,
da Academia Fortalezense de Letras
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 26/02/2012.

