O Instituto DataFolha realizou, agora, neste 2013, pesquisa com 2.517 pessoas de 154 cidades brasileiras. Alguns resultados podem ser considerados surpreendentes: 69% não concordam com a posse de armas para a defesa pessoal; 68% acham que a sociedade deve aceitar a homossexualidade como fato; 74% disseram que os adolescentes criminosos devem ser punidos como se adultos fossem. Quanto ao uso de drogas, 83% são a favor da sua total proibição. 50% dos entrevistados aquiesce com a adoção da pena de morte. 46% são contra e 4% não sabem.
A pergunta subjetiva sobre a crença em Deus obteve o maior percentual (85%). Essas pessoas acreditam que ter fé em um ser superior faz com que ajam de forma melhor no seu comportamento. Qual o sentido?
No livro “Purgatório”,145, Dante Alighieri acreditava, no séc. 14, que Deus “seria o amor, que move o sol e as estrelas”. Era o etéreo. Depois, Baudelaire, já no sec. 19, afirmava que “Deus é o único que, para reinar, nem precisa existir”.
Hoje, neste tempo de crenças difusas, manifestações, outros se dizendo ateus, é milagre que Deus ainda seja regulador da conduta humana para a maioria dos viventes a se entrechocar em seus lares, nos trabalhos e nas ruas. Se analisarmos qualquer cidade, sem a lupa do preconceito, será lúcido concluir que o bem praticado pela maioria supera o mal muito alardeado por alguns poucos. O bem, tal o prosaico, não dá manchetes, não incrementa audiência e sequer é considerado para a maior parte das pessoas sequiosas por novos escândalos e desastres. Paradoxal?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 03/11/2013

