Chegou o dia. Como o voto no Brasil é obrigatório para maiores de 18 e menores de 70 anos, você deve ir votar. Procure seu título, veja a seção eleitoral, pegue um livro ou revista e vá. Pode ter fila, mas não acredito. A votação será eletrônica e tudo correrá mais rápido. Esta é a parte legal e mecânica da história.
A outra parte, a de consciência, é a mais séria. Você tem que procurar respostas na sua consciência e não nas propagandas eleitorais dos candidatos. A sua consciência é guardiã de sua história pessoal, das suas origens, do seu desenvolvimento e da sua maturidade como cidadão. Não adianta ficar lembrando o que disse o candidato A, B, C, D ou Z. Você tem que conversar com você mesmo. Descobrir o que lhe incomoda, o que lhe agrada. Pensar no que deseja para a sua cidade em termos de futuro e saber quem poderá ajudá-la a atingir esse objetivo.
A sua consciência tem que responder aos ditames de sua realidade pessoal e da “realidade real”, aquela do dia-a-dia, em que as promessas mirabolantes são apenas jogo de cena para enganar incautos. Prove que você não é incauto.
Permita-se pensar um pouco em sua cidade. Lembre-se como ela era quando você nasceu, como foi ficando e como é hoje. Veja o que foi feito, o que não foi e o que você imagina ser prioritário. Raciocine um pouco e não tenha medo de concluir, por exemplo, que você até hoje estava influenciado por isso ou aquilo. Estabeleça juízos de valor e dê alguns minutos do seu tempo em favor de duas decisões corretas: a escolha dos seus candidatos a vereador e prefeito. Não fique aí indeciso. Não vote só por votar. Vote no que acredita ser o melhor para a sua cidade. Não vote contra alguém ou algum, vote a favor do que considera capaz.
O vereador é como se fosse um procurador seu. O seu pensamento deve ser parecido com o dele. Ou melhor ainda, o pensamento dele é que deve ser parecido com o seu.
O Prefeito, por sua vez, é uma espécie de administrador ou gerente de alto nível da cidade, um tipo especial de empregado, por tempo determinado, de todos nós, os eleitores.
O Prefeito não deve ser alguém superior, iluminado, mas uma pessoa comum, capaz, dinâmica, com capacidade de arregimentar e liderar uma equipe multiprofissional para cuidar das ações da cidade. Prefeito não é mágico, nem santo, nem demônio. Prefeito ou prefeita tem que ter legitimidade para poder lutar e conseguir administrar o caos em que as cidades, especialmente as grandes, se tornaram.
Agora feche o jornal. Pare diante do espelho e diga o nome dos seus candidatos. Se você não fizer careta, as escolhas estão certas. Se ficar em dúvida, pense mais um pouco e vote a favor de sua cidade. Bons votos.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/10/2000.

