EDILMAR NORÕES – Diário do Nordeste

Faz muito tempo. Estava a estudar com Navarro Gondim, enquanto o rádio da Lila, sua irmã, tocava alto. Ela ouvia um programa da Rádio Verdes Mares, “Musifone” (alô Brotos, alô) comandado por Edilmar Norões, moço que viera da sua Barbalha e dava os primeiros passos em Fortaleza. Enquanto isso, no centro, os sinos da Igreja do Carmo anunciavam a missa dominical do Pe. Gaspar. Eu ficava no patamar e via as jovens Studart chegando. E, entre elas, Lucila, que talvez ouvisse o programa “Musifone”. Tempos depois, Lucila casa com Edilmar, já meu contemporâneo na Faculdade de Direito da UFC. Quem casa, quer casa e o destino nos reencontra na compra do seu primeiro apartamento. E aí é preciso dizer que havia as tertúlias noturnas e dominicais do Clube Maguary, no final da Barão do Rio Branco.E formávamos – Edilmar, Lucila, parentes e amigos – uma grande mesa, “a mesa do espelho”, pois, defronte a ela, havia um, resplandecente, a permitir vigilância dos diretores e dar ilusão aos casais dançantes que, de soslaio, nele se miravam pensando ser Fred Astaire e Ginger Rogers. A mesa tinha salgadinhos, guaranás, cervejas e os runs Merino ou Bacardi, as bebidas da moda. O tempo não para e o Edilmar passou a ser o cronista político que ainda hoje o é na mesma rádio. E aí Edson Queiroz, chefe e amigo, funda este Diário do Nordeste e lá vai, Edilmar- sem deixar a rádio e de cuidar da TV Verdes- ser o Editor de Política, aí na terceira página, onde permanece até hoje. Com sabedoria, bons ouvidos e discrição, trafega em todas as rodas políticas, pesando o que ouve e publica. E já nesse tempo, cada um na sua faina, fazíamos parte de outro grupo heterogêneo que se reunia aos sábados sob os olhares de Astrolábio e Edson Queiroz. Depois, os abriguei e a sua ACERT por anos e, mesmo que hoje não convivamos no dia a dia, somos próximos por fraternidade, aquela que não requer exposição, mas atitude no momento certo. Essa história toda é para dizer que Edilmar, profissional sem jaça, marido exemplar, pai e avô querido, é objeto de estudos por acadêmicos da Universidade de Fortaleza e eu procurei apenas deixar escrito o que a memória e o coração sabiam.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/09/2008.

Sem categoria