EDSON E FRIAS – Diário do Nordeste

Esta semana, lendo a edição comemorativa dos 90 anos da Folha de São Paulo, estabeleci conexão entre Edson Queiroz e Octávio Frias. Ambos eram comerciantes, como Frias gostava de ser chamado, ou empresários, ou empreendedores, como hoje se diz. A diferença entre Edson e Frias é que este comprara em 1962, em sociedade com Carlos Caldeira Filho, a Folha, que já havia passado por duas outras mãos, desde a sua fundação, em 1921. Edson – empresário de sucesso na distribuição de gás liquefeito de petróleo, indústria de eletrodomésticos e pela implantação da Universidade de Fortaleza, decidiu fazer um jornal, a partir do nada. E o montou de forma acelerada, mas planejada, com bons profissionais e consolidou o seu grupo de comunicação, possuidor de televisão e rádio. Ambos, Edson e Frias, eram diretos em seus objetivos. O jornalista Clovis Rossi conta, nessa edição comemorativa, conversa tida com Frias. Rossi era correspondente em Buenos Aires e estava cansado de ficar lá, queria viajar. Ele escreve: “Frias, cortou logo o papo com uma frase que não consegui esquecer… O que você prefere, viajar mais ou ter a independência que tem para escrever o que quiser?”. Edson era também direto, obstinado e ajudava, sempre de forma discreta, como o fez com o seu diretor Astrolábio Queiroz, até o fim. O mesmo, com o radialista Paulino Rocha. Lembro do dia 04 de dezembro de 1981, quando saiu o número zero (teste) do Diário do Nordeste. Amigos de Edson Queiroz, entre eles, eu e o Antônio dos Santos, então presidente da Assembleia Legislativa, que, interinamente, ocupava o Governo do Ceará, confraternizavam, visitavam as oficinas e saiam de lá com exemplares do DN ofertados por Edson, em mangas de camisa e radiante. O primeiro número saiu logo no dia 19. Trazia o editorial “Compromisso de Luta”, falando dos objetivos do jornal com novidades como a segmentação em cadernos e excelente feição gráfica. Hoje, quase 30 anos passados, relembrei esses fatos ao ler a bela edição comemorativa da Folha que, inclusive, relata de forma clara e sem sofismas seus sucessos, erros e percalços. Como dizia Machado de Assis: “O jornal é a verdadeira forma de república do pensamento”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/02/2011.

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