João Soares Neto*
Parte da imprensa brasileira gosta de propagar que 50.000 mexicanos foram mortos de 2006 até hoje por conta do enérgico combate ao narcotráfico pelo sério e desenvolvimentista governo do Presidente Felipe Calderón. Acho até gozado ler as estatísticas brasileiras sobre assassinatos. Só em 2010 foram mortas 50.000 pessoas no Brasil. Imagine em seis anos. Assim, é desnecessário falar em violência mexicana, se comparada à brasileira. Falam também que há muitos pobres, entre os mexicanos. A pobreza existe em todo o mundo e precisa ser debelada. O que não dizem é que no Índice Gini (quanto mais perto de zero, melhor), que mede as desigualdades de renda, o Brasil está em pior situação, 0,530; o do México é 0, 474, bem mais baixo.
Logo, menos pobres. A escolaridade no México é maior do que a brasileira e as universidades mexicanas figuram em melhor situação, se comparadas com as do Brasil, no ranking internacional, inclusive em número de doutores e em pesquisas.
Domingo passado, 79 milhões de eleitores estavam aptos a votar nas eleições para a presidência da república asteca, o segundo país mais rico – ou menos pobre – da América Latina, embora se localize na América do Norte. Como o voto não é obrigatório, houve abstenção de 30%.
O novo presidente, Enrique Peña Nieto, é um bem apessoado advogado de 45 anos e ex-governador. Viúvo em 2007, com quatro filhos, um deles fora do matrimônio, casou, em 2010, com a atriz Angélica Rivera que substituirá, em beleza, a ex-primeira dama francesa, Carla Bruni. Peña Nieto usou a sua aparência telegênica com excelente capacidade de comunicação pelo écran. Mesmo sendo candidato pelo estigmatizado Partido Revolucionário Institucional, o PRI, que comandou o país de 1929 a 2000, Peña Nieto tinha larga vantagem nas pesquisas para López Obrador, do Partido da Revolução Democrática – PRD, que perdeu para Calderón por poucos votos na eleição presidencial de 2006. E, mais ainda, sobre Josefina Vásquez Mota, apoiada pelo Partido da Ação Nacional (PAN).
O México tem hoje quase 114 milhões de habitantes para um Produto Interno Bruto – PIB de US$ 1,15 trilhão de dólares, com nível de desemprego, em 2011, de 5,3%, menor que os 6,0% brasileiros. Diga-se também que o Índice de Desenvolvimento Humano- IDH (0, 750) mexicano é o 56º. na posição mundial, enquanto o nosso é o 73º. (0,699). O desenvolvimento industrial nos últimos seis anos foi tão positivo que a migração do México para os EUA ficou negativa (mais mexicanos voltaram que saíram para “fazer a América”). A expectativa do crescimento do México em 2012 será de 3,5%, enquanto o do Brasil girará em torno de 2%. É preciso que haja mais informação construtiva sobre o México, país que tem no Brasil um grande parceiro comercial. Já não falamos nem em futebol, pois, no último encontro, deu México 2 e Brasil 0.
A Presidente Dilma e os demais países do hemisfério sul têm no México um sério parceiro, interlocutor legítimo e seguro porto de entrada para negócios. Em 2013, os novos presidentes do México e dos EUA terão, de partida, uma pauta comum sobre o desenvolvimento do Pacto de comércio (Nafta), ao combate ao narcotráfico e um tratamento proativo nas questões migratórias, especialmente as delicadas situações de milhões de crianças e jovens nascidos nos Estados Unidos, filhos de pais latinos, inclusive brasileiros, muitos dos quais “indocumentados”.
João Soares Neto é Cônsul Honorário do México no Ceará.
João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06/07/2012.

