ENERGIA CARA – Jornal O Estado

Todos, exceto os poucos que têm energia subsidiada, sabem que o Brasil pratica um dos mais altos preços do mundo. As distribuidoras falam dos graves e grossos impostos que nós, os consumidores, pagamos -além da conta -para encobrir os lucros exorbitantes que têm. O Governo precisa de impostos para manter a mastodôntica máquina de funcionários e terceirizados que infla a sabor dos interesses políticos. Enquanto isso, empresas há que paralisam por não ter condições de trabalho com o preço alto cobrado. Tinha um amigo que finou por não aguentar as pressões de uma conta astronômica todos os meses. Preferia pagar os empregados. Cortaram-lhe a energia e a vida feneceu.
Agora, surge, enfim, uma Medida Provisória (579) que pretende baixar, em 2013, 20% da conta de energia. Entretanto, alguns dos deputados e senadores que elegemos estão boicotando a sua votação. Sabe-se, a partir de fatos, que os conselhos criados para as agências reguladoras, a de energia, inclusive, servem para pouca ou nenhuma coisa. Igualmente, os conselhos das empresas concessionárias de energia são compostos por representantes de entidades que compactuam com os elevados preços das tarifas, dos serviços que lhes são exclusivos e, via de regra, terceirizados por uma ninharia a pequenas firmas.
É hora de se ter um olhar sério para a coisa pública. Não é republicano, tampouco justo, o modo como o sistema brasileiro de energia elétrica funciona. Não há cabimento para que no horário de (pico) maior demanda (das 17h30min as 20h30h) empresas paguem até 300% a mais pelo custo da mesma energia, enquanto em muitas repartições públicas, Brasil afora, as luzes ficam acesas apenas para deleite ou para fingir que há alguém trabalhando no horário noturno.
O Brasil tem hidrelétricas e pagamos todos os meses, impostos para construções de novas termelétricas e hidrelétricas. Demos a metade da Itaipu ao Paraguai, por meras razões políticas. Por que tudo é transferido para o consumidor? Qual a parte do Governo? Apenas aumentar impostos?
O próprio Maquiavel, ídolo de políticos ilusionistas, dizia no século no século XVI: “Uma república sem cidadãos de boa reputação não pode existir nem ser bem governada; por outro lado, a reputação dos cidadãos é motivo da tirania das repúblicas.”

João Soares Neto
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07/12/2012.

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