Alguns puristas cobram-me relevância nestas 270 palavras que escrevo a cada domingo. Como diz o português Lobo Antunes, há duas literaturas: a relevante e a de entretenimento. Estas curtas linhas tentam ficar a meio caminho.
Por outro lado, leitores graduados perguntam o significado de uma ou outra palavra jogada no meio do texto para não deixá-lo tão minguado de adorno.
Agora, “prestenção”, o dia e a noite estão, cada um, com 12 horas de duração. É o fenômeno da passagem do equinócio (noites iguais) no hemisfério sul, onde o Brasil está fincado. Das alvoradas ou dos dilúculos ao crepúsculo ou ocaso, os relógios marcam 720 minutos.
Como estamos perto da linha do Equador, é fácil cronometrar o estirão do dia e o tempão da noite. Li ainda, em algum lugar, que o tal do equinócio acontece quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre as nossas cabeças. Sei não, como sou careca, imagino que o equinócio seja quase o ano inteiro. Como nenhum astrônomo vai se dar ao trabalho de ler este suelto, fica assim mesmo.
Mal as chuvas começaram e a festa de São José, celebrada na quinta, 19, leva a crer que se choveu no dia, haverá inverno.
Nada sei de astrofísica, tampouco de adivinhações, mas queria dizer a quem confia que entramos no outono só pode ser pirado.
Acho graça quando as moças meteorologistas das tevês anunciam o tempo do dia seguinte.
Nesta terra de Alencar, os termômetros engancharam desde que Martins Soares Moreno baixou por aqui. Prefiro Rachel, em O Quinze: “Tenho fé em São José que ainda chove!”
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/03/2015

