ESCREVER É FÁCIL? Diário do Nordeste

Dia desses li artigo escrito por um Ph.D. O artigo deveria ter o dobro de palavras deste. Além de Ph.D., o autor coordena curso de ensino superior, de alta credibilidade no Brasil.
O tema, não importa. O fato é que, essa palavra ora escrita, repetia-­se por mais de 40 vezes no texto.
Acredito haver sido a exaustão de outras tarefas ­ e até o descuido com a revisão ­ a causa de tantos “que” no texto. Apesar disso, o texto passou a mensagem ao leitor.
Fiquei em dúvida, mas resolvi passar um e-mail relatando o fato. Não me respondeu. Pode não ter recebido.
Pode imaginar ser “inveja” o meu relato. Aproveito para citar definição apropriada de inveja, a do escritor Zuenir Ventura.
“Inveja é não querer que o outro tenha”. Não seria o caso. Apenas o alertei. Qualquer leitor pode alertar-­me de erros, omissões e equívocos. Claro, os cometo.
Não tenho a pretensão de escrever certo, mas o desejo de passar aos leitores a análise de fatos ou ideias, a razão de ser deste espaço semanal, neste prestigioso jornal Diário do Nordeste.
O compositor e cantor Chico Buarque, em uma de suas composições, escreveu “num país”. Ele mesmo falou ser opção estilística.
Assim, neste tempo de “likes” e de internet aberta para qualquer um dizer isso e aquilo, não é fácil seguir a regra culta da tão rica e complexa língua portuguesa.
Termino com uma ‘pérola’ do Paulo Coelho: “Ame como a chuva fina. Que cai em silêncio, quase sem fazer notar, mas é capaz de transbordar rios”. E é?

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 16/07/2016.

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