Alguns perguntam o que é a crise. Já ouvimos isso de pessoas tomando uísque doze anos. De empresários, com ou sem empresa, de caloteiros contumazes, de jornalistas econômicos, ex-ministros da fazenda, economistas, ex-dirigentes do Banco Central, políticos que mudam de partido, mas não saem do governo, e até de pessoas sérias que trabalham duro e estão meio tontas. Não é para menos. Há um bombardeio da mídia nacional e internacional falando sobre a crise, da quebradeira de empresas e bancos que alavancavam. Alavancar é termo usado pelos economistas para dizer que determinada empresa ou banco trabalha com muito capital (dinheiro) de terceiros. Aliás, os economistas passaram longe do faro para descobrir essa crise. Sabem explicar o antes no depois. Mas, ninguém previu nada. Era uma euforia geral, até quando as hipotecas americanas deixaram de ser pagas, a crise de confiança aconteceu e as pessoas começaram a tirar dinheiro dos bancos, das bolsas e colocaram debaixo dos colchões. Aí os governos tiveram que correr para salvar o possível. O problema de muitos economistas, especialmente dos econometristas e dos que tratam da macroeconomia, é que procuram soluções matemáticas para problemas sociais. Os Estados Unidos têm vivido em crise desde 2000, quando as ações das empresas de tecnologia caíram assustadoramente, pelo simples fato de serem uma bolha financeira. Muita propaganda, euforia do mercado e a realidade: a queda. Depois, em 11 de setembro de 2001, a outra queda, o ataque muçulmano aos EUA, morrem milhares de pessoas e, em consequência, surge a Guerra do Iraque, alimentada pelos interesses armamentistas, do petróleo e da reconstrução do que foi bombardeado. Em 2002, somando a queda da Nasdaq ao problema causado pelos ataques aéreos, as empresas do ramo de tecnologia sofreram desvalorização de cinco trilhões e os que estavam na Bolsa de NY também perderam. Agora, em 15 de setembro deste 2008, o mundo ameaçou ir para o espaço, mas havia uma eleição americana com grandes interesses e a operação de emergência aconteceu. Disso se valeu o candidato Barack Obama para reforçar o que já dizia: “nós podemos” recuperar a economia americana que, quer queiramos ou não, ainda é o fiel da balança financeira do mundo. Essa minha explicação é banal, com um pouco de esforço de memória, e a guarda de recortes de jornais paulistas especializados em economia que previam que a Bovespa, bolsa de São Paulo, estaria com 85.000 pontos agora em dezembro. Dezembro está aí e a Bovespa luta para chegar aos 40.000 pontos, depois de ter atingido 73.000 em agosto. O petróleo que foi a perto de 150 dólares o barril, está em 50. Esta é a nossa rasa explicação. Pouco sabemos do que acontece no mundo, pois muitos confiaram em empresa, banco e gente. Alguns, desonestos, que continuam enganando por aí, mentindo e ocupando funções que não pedem folha corrida.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/11/2008

