Imaginem que a cidade de Fortaleza é vizinha de Sergipe. Fortaleza tem a mesma área da Faixa de Gaza. Sergipe, o mesmo tamanho de Israel. A Faixa de Gaza é uma estreita extensão de terra, onde foram alocados parte dos palestinos que ocupavam, até 1948, a área onde hoje fica Israel. Ela tem jurisdição especial, sem ser Estado, possui, junto com a Cisjordânia, parlamento, Presidente e dois partidos políticos: Hamas e Fatah. O Hamas parece uma mistura do antigo PT e do atual PSOL, com tendência sunita e tem o apoio do Irã. O Fatah seria um cruzamento do DEM com o PSDB. Perdeu as eleições, em 2006, e saiu de cena. Em Gaza, a cidade da faixa, moram 1,5 milhões de pessoas, com renda média mensal de 210 reais e um poderio militar comparável a de qualquer pequeno país da África. De cada 100 palestinos adultos de Gaza, 45 estão desempregados, face ao bloqueio econômico de Israel, com o apoio americano e da Europa. Esses desempregados, famintos e revoltados, são a base do terrorismo. O Hamas, inconformado, lança foguetes sobre Israel e treina homens-bomba para ataques aleatórios a prédios públicos e privados. Em Israel habitam 7,1milhões com renda mensal de 5.100 reais. Exército permanente e equipamentos militares de Primeiro Mundo. Há, portanto, desequilíbrio na luta que, certamente, não terminará no próximo cessar fogo, se acontecer. Esse desequilíbrio e o bloqueio, não desautorizam Israel de defender seus cidadãos dos ataques de foguetes e dos homens-bomba. Eu já estive lá e vi. Agora, entretanto, acontece ataque terrestre massivo com apoio aéreo sem distinguir civis e crianças palestinas. Essa é a realidade. Por trás dela está a permanente luta pelo poder, religiões e ideologia. Ocorreu também o combate ao terrorismo do Al Qeda. especialmente após os ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos e o início da Guerra contra o Iraque, país onde existiam, além de um governo truculento e terroristas, milhões de civis e grandes e cobiçadas reservas de petróleo com refinarias. No inverno de Nova Iorque, nos calafetados salões da sede da Organização das Nações Unidas, há demora do Conselho de Segurança em decidir. Até quando?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 12/01/2009

