Este virar de ano nos acena com uma conspiração nova, a de retomar o gosto pela leitura. Uma espécie de ONG ‘Leia Mais’ e uma organização social ‘Fique Lendo e não seja assaltado’ estão propagando nomes de autores cearenses que poderão ser visitados em livrarias e de lá saírem com você para a sua casa. Eles vão mostrar a você todos os seus sonhos, desejos, indignações, amores e desditas. Eles se revelam no que escrevem. Seja em prosa ou verso. Você ficará íntimo deles,
Você passa, por exemplo, na livraria Livro Técnico e pergunta ao Sérgio Braga o que tem de bom na atual literatura cearense e, certamente, ele mostrará muitos títulos e autores. Depende do que você gosta de ler: poesia, crônica, conto, ensaio e romance. Há tanta pessoa iluminada nesta terra que você pode, por falta de informação, preconceito ou comodismo, estar perdendo momentos prazerosos de leitura.
O livro é um mundo pequeno ou grande, só depende do olhar de quem o lê e de sua história pessoal, pois há um entrelaçamento entre o que você lê e o que sente. Muitas vezes, tem perguntas e respostas que não sabemos ou ousamos formular. Você que lê jornal está a um passo dos livros. Ao terminar de ler este jornal, espreguice-se, olhe o lá fora e pergunte a si mesmo qual foi o último livro que leu. Não lembra? Ótimo, está na hora de voltar a ler. Vamos começar pelas mulheres. Não deixem de ler Ana Miranda, Ângela Gutiérrez, Beatriz Alcântara, Giselda Medeiros, Natércia Campos, Regine Limaverde, Tércia Montenegro e tantas outras.
Entre os homens, para falar só nos vivos, vou lembrando de Airton Monte, Alcides Pinto, Almir Gomes de Castro, Audifax Rios, Carlos Augusto Viana, Carlos Emílio, Barros Pinho, Batista de Lima, Dimas Macedo, Francisco Carvalho, José Teles, Juarez Leitão, Pedro Salgueiro, Luciano Maia, Lustosa da Costa, Rui Câmara e uma pá de outros valorosos escrevinhadores, todos servidores de leitores desconhecidos.
Acredite, ler não é perda de tempo, é entrar em sintonia fina com você mesmo, sem precisar de testemunha. Basta um livro, luz do sol ou da lâmpada e pernas jogadas sobre qualquer rede ou sofá velho. Ia esquecendo: eu, por exemplo, leio sempre e mais de um livro ao mesmo tempo, alternando a leitura. Gosto de ler com um lápis à mão, especialmente se tiver uma borracha acoplada. Com ele vou grifando, discordando ou anotando o que me parece certo, risível ou errado. Faça isso nesse ano novo. Essa é uma forma segura de alimentar a sua alma, essa que conhece todas as suas mazelas e glórias e, nas noites insones, diz em seu silêncio: vai dormir, deixe de frescura.
Na primeira nervura do ano alvoreça o seu espírito, esqueça os erros seus e os do mundo e vá de livro novo, esse companheiro silencioso, capaz e disponível, que está ali ao seu lado, todas as horas, para o que der e vier. Feliz 2008.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/12/2007.

