FORTALEZA, 2013 – Jornal O Estado

A prefeita Luizianne Lins apresenta em livro de capa dura, 230 páginas, aspecto gráfico de nível e fotos profissionais, a sua versão da administração que vem de 2005 e termina em dezembro deste 2012. Na verdade, ela antecipa as suas realizações em “Juntos Construindo a Fortaleza Bela 2005-2011”.
Esse documento oficial, coordenado editorialmente por Nágela Raposo Alves e organizado por Alfredo Pessoa de Oliveira e José Meneleu Neto – responsáveis por seu conteúdo – deve servir de base de informação para todos os candidatos a prefeito de Fortaleza. Caberá a cada um, depois de examiná-lo, fazer a sua análise e julgamento.
Lê-lo será um dos caminhos para que possam refutar, criticar, xingar, aclamar, checar ou aceitar o que é demonstrado em linguagem simples, lastreada por dados com fontes dos indicadores socioeconômicos.
Fortaleza não é cidade laboratório. Ela é real, zangada, sofrida e querida. Cadinho de todos os sentimentos, anseios, orgulhos, gentilezas, deseducação, cidadania, desrespeito, amor e desdém que permeiam os seus 2,5 milhões de habitantes.
Os nomes da moda são mobilidade urbana, sustentabilidade, integração, solidariedade, compartilhamento e outros mais. Os candidatos devem, penso eu, esquecer os adjetivos de palanque e dizer para o que vieram. Eleição não é disputa de egos, fotogenia e tampouco de eloquência patética.
Eleição é precedida de um tempo em que cada candidato deve ponderar o que vai dizer, revelar quem é, seus planos, quem o apoia e porque o faz. Deve clarificar o que sabe sobre a cidade e apontar soluções viáveis em função dos recursos que disporá em transferências e orçamentos que se desejam abertos a todos os que queiram – e todos deveriam querer – conhecê-los. Diz Ítalo Calvino, escritor italiano do século passado, que “as cidades, como os sonhos, são feitas de desejos e medos”.
Esperamos que os candidatos mostrem os seus desejos de bem administrar esta cidade antes aberta, brejeira e fagueira. Hoje, a maioria dos citadinos tem grades em suas moradas; empresas de vigilância e segurança prosperam; motocicletas transformaram seus usuários nos maiores e mais graves pacientes dos hospitais; ruas seguem acanhadas, em traçados ortogonais e levam ao desespero os usuários de transportes coletivos e os milhares de guiadores neuróticos, mas orgulhosos de seus carros comprados em financiamentos que escondem armadilhas. Os pedestres que se cuidem.
A Fortaleza de 2013 precisa debelar as apartações sociais que ainda estão em todos os lugares e tornam-se claras e multiformes nas páginas de jornais, nas emissoras de rádio e televisão. Fortaleza comporta sonhos, mas precisa de escopos de projetos e planos consequentes dos candidatos a gestores. Eles serão julgados pelas verdades das urnas e as do tempo inexorável que nos desnuda a todos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13/07/2012.

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