Agora que tudo passou, posso contar. Houve um tempo em que fui tentado a sair daqui. Iria para o Rio de todos os brasileiros, para a São Paulo de todos os povos ou para o exterior. Houve sondagens, propostas a fascinar os que não tivessem raízes profundas nesta cidade que me viu nascer, estudar, aprender a escrever, crescer, trabalhar e viver.
Por ser independente, fazer o que quero e ter a família como razão primeira, não fui mordido pela mosca azul. Conto uma: em Lima, no Peru, em certame internacional, fui contra o pensamento da maioria. Defendia meus pontos de vista, apenas.
Após a reunião, alguém se achega e pergunta: você quer vir trabalhar conosco? Era de entidade forte e importante. Respondi que não e expliquei: não tenho vocação para obedecer. Mesmo assim, insistiram. Deram um tempo a mim. Na volta, conversei com a família e reafirmei o não.
Amo esta cidade de verdade. Fui pequeno desbravador de parte das suas áreas, inclusive no Meireles e na Varjota. Por minha conta e risco, abri ruas, pavimentei e arborizei vias em que só havia areia; doei área para a continuação da Desembargador Moreira em direção à Raul Barbosa, cedi espaço para a Estação Benfica, do Metrofor, e concebi o Parque da Paz, onde todos se igualam.
Não é vanglória. É registro. Convicção de cidadania, desde o tempo em que essa palavra sequer se ouvia.
Agora, nesta semana em que Fortaleza completa mais um ano, reafirmo o meu bem querer por ela.
Sei dos meus pactos com a cidade e com o seu desenvolvimento. Parabéns.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 12/04/2015.

