‘FORTALEZA’ E ‘CEARÁ’ – Diário do Nordeste

Os clubes “Fortaleza” e “Ceará” sabem possuir torcidas apaixonadas. O “Fortaleza”, na terceirona, obteve o maior público do Brasil: 63.000 torcedores. Saíram desapontados pela ausência de fibra e desamor à camisa. Faltou um só gol. A decepção se repete faz cinco anos. Na eleição de segunda, havia multidão no Pici.
Por outro lado, o “Ceará” despediu-se do acesso à elite por fobia ao fato de terminar o primeiro turno como líder. Tremeu nas bases. Faltou brio. Os dirigentes precisam mudar o pensar e o agir. Nessa fase do pré-campeonato, chegam jogadores rodados, salários altos e usuários da Justiça Trabalhista.
Elogiam a terra, o “professor” traz comissão técnica, enturmam-se, surgem contusões, cartões amarelos e vermelhos. Ao final, despedidas dos “bondes”. Vergonhas repetidas. Evandro Leitão e Jorge Mota deveriam trocar ideias. Os dois têm torcidas leais. Logo esquecem os tropeços e vão aos jogos à espera da redenção. Há alguns anos reúno os troféus e as torcidas do Ceará e Fortaleza em exposições conjuntas. Parecia impossível. Não é. Uma torcida respeita a outra. Fotos e livros provam isso. 2015 poderá ser auspicioso para os dois.
A receita é simples: humildade, orçamento, repensar erros, usar técnicos e mais jogadores locais, das categorias de base, dos subúrbios e do interior. Garanto: pior que seja nunca será igual ao desempenho atual. Mudem. A hora é esta.
Por que técnicos cearenses não emplacam por aqui, mas dão certo fora do Estado? Eles não falam chiando, cobram pouco e são simples. Administrar é cortar o supérfluo e fazer o básico: vencer.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/12/2014

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